quarta-feira, 15 jul. 2026

Europa deteta uma nova droga por semana e alerta para aumento de substâncias sintéticas mortais

A Europa está a identificar novas substâncias psicoativas ao ritmo de uma por semana. A Agência da União Europeia sobre Drogas alerta para o crescimento de drogas sintéticas altamente potentes, o aumento das overdoses e a adaptação das redes de tráfico às ações das autoridades
Europa deteta uma nova droga por semana e alerta para aumento de substâncias sintéticas mortais

A Europa continua a enfrentar um mercado de drogas cada vez mais complexo e perigoso, com a deteção de novas substâncias psicoativas ao ritmo de aproximadamente uma por semana. O alerta é lançado pela Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), que identifica um aumento preocupante da circulação de drogas sintéticas altamente potentes e um risco crescente para a saúde pública.

De acordo com o Relatório Europeu sobre Drogas 2026, divulgado esta terça-feira, foram comunicadas pela primeira vez 50 novas substâncias psicoativas em território europeu durante 2025, elevando para 1.050 o número total de substâncias atualmente monitorizadas pela agência sediada em Lisboa.

Drogas sintéticas aumentam risco de intoxicações fatais

A EUDA destaca as novas drogas sintéticas como uma das principais ameaças emergentes. Desde 2009 foram identificados 95 novos opioides sintéticos na Europa, sete dos quais apenas no último ano.

Segundo a agência, estas substâncias apresentam frequentemente níveis de potência muito elevados, aumentando significativamente o risco de intoxicações graves e mortes por overdose.

Os opioides continuam a ser a principal causa de mortes relacionadas com o consumo de drogas no espaço europeu. A agência estima que, em 2024, tenham ocorrido pelo menos 7.600 overdoses fatais na União Europeia.

Muitas destas mortes envolvem o consumo combinado de opioides com outras substâncias, o que aumenta a perigosidade dos efeitos.

O relatório alerta também para a apreensão de dispositivos de vaping que contêm formas sintéticas e semissintéticas de canábis em vários Estados-membros.

A agência teme que estes equipamentos possam vir a ser utilizados para administrar outras substâncias particularmente perigosas, incluindo novos opioides sintéticos.

A crescente diversificação dos produtos disponíveis no mercado ilícito está a dificultar a monitorização e a resposta das autoridades de saúde e segurança.

Redes de tráfico recorrem a drones e semissubmersíveis

A EUDA sublinha ainda que os grupos criminosos estão a adaptar rapidamente os seus métodos para contornar a ação policial e aduaneira.

Segundo o relatório, as organizações de tráfico utilizam cada vez mais portos de menor dimensão, transferências marítimas realizadas por embarcações rápidas, semissubmersíveis, drones e sofisticadas técnicas de ocultação de droga.

Esta evolução está a aumentar a pressão sobre as autoridades europeias, que enfrentam desafios crescentes na deteção e interceção dos carregamentos.

Além dos impactos na saúde, a agência alerta para o agravamento dos problemas de segurança associados ao tráfico de droga, incluindo episódios de intimidação, violência e recrutamento de jovens vulneráveis por redes criminosas.

Canábis continua a ser a droga mais consumida

A canábis mantém-se como a substância ilícita mais utilizada na Europa.

Segundo as estimativas da EUDA, cerca de 24,9 milhões de adultos entre os 15 e os 64 anos consumiram canábis durante o último ano.

O relatório destaca igualmente mudanças nas rotas de abastecimento, verificando-se um aumento da canábis herbácea proveniente de países fora da Europa, sobretudo do Canadá e dos EUA, e em menor escala da Tailândia.

Apesar da forte redução da produção de ópio no Afeganistão após a proibição imposta pelos talibãs em 2022, o mercado europeu da heroína continua a demonstrar capacidade de resistência.

Segundo a agência, as redes de tráfico têm recorrido às reservas acumuladas de ópio, estimadas em cerca de 12 mil toneladas em 2025, para compensar a quebra da produção e manter o abastecimento dos mercados internacionais.

Consumo de cetamina cresce entre os jovens

Outro fenómeno que preocupa a agência europeia é o aumento do consumo recreativo de cetamina, um medicamento utilizado em contexto médico como anestésico e analgésico.

A substância está a tornar-se cada vez mais comum em ambientes noturnos e entre populações jovens.

A EUDA alerta que os riscos associados ao consumo vão desde intoxicações agudas até problemas crónicos graves, incluindo lesões severas na bexiga.

Os dados mais recentes obtidos através da análise de águas residuais mostram um aumento dos vestígios de cetamina em 40 das 66 cidades europeias analisadas entre 2024 e 2025.

Perante a crescente diversidade e potência das substâncias disponíveis no mercado, a EUDA considera essencial reforçar os sistemas de prevenção, tratamento e redução de danos.

A agência defende ainda mais investimento na reintegração social dos consumidores e na capacidade de resposta dos serviços de saúde para enfrentar um fenómeno que continua a evoluir rapidamente em toda a Europa.

Segundo o relatório, a capacidade europeia para responder aos novos desafios do mercado da droga dependerá da coordenação entre autoridades, profissionais de saúde e decisores políticos, num contexto em que as ameaças se tornam cada vez mais complexas e difíceis de antecipar.