Relacionados
Se a sua casa foi afetada pela depressão Kristin e foi construída há mais de 21 anos, este alerta é para si.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu esta quarta-feira um conjunto de recomendações dirigidas à população na sequência dos danos provocados pela tempestade Kristin. O perigo foca-se na exposição ao amianto durante os trabalhos de limpeza, remoção de entulho e reparação de edifícios.
Segundo a autoridade de saúde, muitos imóveis construídos antes de 2005 podem conter materiais com amianto, nomeadamente em telhados, revestimentos e sistemas de ventilação. Estes componentes, quando intactos, não representam risco imediato, mas tornam-se perigosos se forem partidos, cortados ou degradados, libertando fibras microscópicas que podem ser inaladas - situação provável após os danos causados pelas rajadas de vento inéditas.
Numa nota divulgada nas redes sociais, a DGS recomenda que, perante materiais que podem ser suspeitos, as pessoas evitem mexer, cortar, ou partir. É igualmente aconselhado afastar-se da área, não varrer nem aspirar os detritos, uma vez que essas ações podem espalhar as fibras pelo ar. O aconselhável é aguardar por trabalhadores licenciados que saibam como lidar com esses materiais.
Quando estes materiais já se encontram no solo ou são considerados resíduos, deve ser contactada a Agência Portuguesa do Ambiente ou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da respetiva área.
No caso de telhas ou outros elementos ainda integrados nas construções, a DGS defende que a intervenção deve ficar a cargo de empresas certificadas, de forma a garantir condições de segurança para trabalhadores e moradores.
Em comunicado, a autoridade de saúde reforça que muitos dos perigos associados ao período pós-tempestade não são imediatamente visíveis, mas podem ter consequências graves para a saúde. Por isso, apela à população para procurar informação e adotar medidas de proteção antes de iniciar qualquer reparação.
O alerta surge num contexto de forte impacto provocado pelo mau tempo. Desde a semana passada, foram registadas dez mortes relacionadas com o temporal, quatro das quais ocorreram durante trabalhos de reparação de telhados.
A tempestade causou ainda danos significativos em habitações, empresas e infraestruturas, além de quedas de árvores, interrupções no tráfego rodoviário e ferroviário, encerramento de escolas e falhas nos serviços de energia, água e comunicações. Centenas de pessoas ficaram feridas ou desalojadas e, esta quarta-feira, 93 mil clientes continuam sem energia, 63 mil das quais em Leiria, segundo comunicado da E-Redes.
Os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém concentram a maior parte dos estragos. Perante a dimensão da situação, o Governo decretou estado de calamidade em 68 concelhos até ao próximo domingo e anunciou um conjunto de apoios financeiros que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.