A Polícia Judiciária (PJ) deteve um estudante universitário, de 22 anos, no âmbito de uma operação realizada nas regiões do Montijo e de Setúbal, por suspeitas da prática de dezenas de crimes de extorsão agravada, designados por sextortion, burla qualificada, recetação e branqueamento de capitais.
A PJ revelou, em comunicado, que a operação resultou de cinco buscas domiciliárias que permitiram a recolha de elementos de prova considerados relevantes e sólidos para a investigação em curso.
O suspeito estabelecia contacto com as vítimas através de redes sociais, recorrendo a técnicas de engenharia social para as convencer a partilhar fotografias íntimas. Posteriormente, as vítimas eram alegadamente alvo de chantagem, com ameaças de divulgação das imagens caso não procedessem ao pagamento de elevadas quantias monetárias.
Em alguns casos, quando as vítimas não cediam à extorsão inicial, outros elementos do grupo entravam em ação, fazendo-se passar por inspetores da Polícia Judiciária.
Esses falsos agentes terão então pressionado as vítimas a pagar alegadas “multas” ou a compensar supostos danos causados a menores, a quem as imagens teriam sido enviadas.
A investigação aponta para que os lucros obtidos através da atividade criminosa ascendam a cerca de um milhão de euros.
Os valores recebidos eram posteriormente distribuídos por várias contas bancárias, registadas em nome do suspeito, de familiares e de terceiros, numa tentativa de ocultar a origem dos fundos.
A operação contou com a participação de diferentes unidades da Polícia Judiciária, nomeadamente a Unidade de Perícia Tecnológica e Informática (UPTI) e a Unidade de Armamento e Segurança (UAS).
O homem detido será presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.
Entretanto, a investigação prossegue, com o objetivo de identificar outros eventuais suspeitos e vítimas envolvidas na rede.