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A Entidade Reguladora da Saúde ordenou à Unidade Local de Saúde do Algarve que adote medidas para garantir maior qualidade, segurança e rapidez no atendimento das urgências, depois da morte de um utente no hospital de Faro após quatro horas de espera para observação médica.
A decisão consta das deliberações do primeiro trimestre divulgadas esta quinta-feira pelo regulador da saúde.
Segundo a ERS, o utente deu entrada no serviço de urgência do hospital de Faro após um acidente rodoviário e permaneceu cerca de quatro horas sem ser observado por um médico.
Durante o período de espera, começou a sentir falta de ar e acabou por ser encaminhado para a sala de cirurgia, onde foi detetada uma hemorragia interna. O doente acabaria por morrer pouco depois.
Na resposta enviada ao regulador, a unidade de saúde reconheceu a existência de constrangimentos no serviço de urgência relacionados com dificuldades na contratação de médicos e enfermeiros.
Ainda assim, o hospital considerou que o agravamento rápido do estado clínico do utente “não parece decorrer diretamente” da falta de profissionais, apontando antes para a condição clínica de base do doente, que sofria de cirrose hepática.
A unidade hospitalar acrescentou ainda que o utente já tinha recorrido anteriormente 44 vezes ao serviço de urgência.
Na deliberação, a ERS determina que a ULS do Algarve implemente medidas para assegurar a “permanente salvaguarda da qualidade e segurança” dos cuidados prestados, incluindo a correta ativação da Via Verde AVC e Trauma.
O regulador exige também procedimentos internos que garantam atendimento com “qualidade, celeridade e prontidão”, evitando tempos de espera considerados “excessivamente longos” e assegurando retriagens sempre que sejam ultrapassados os tempos definidos pelo sistema de triagem de Manchester.
Compressa esquecida após parto no Hospital de São João
Noutra deliberação divulgada esta quinta-feira, a ERS instruiu a Unidade Local de Saúde de São João, no Porto, a reforçar os procedimentos de controlo e registo de materiais clínicos utilizados durante os partos, depois de uma compressa vaginal ter sido esquecida numa utente.
Segundo o regulador, a situação só foi detetada 14 dias após o parto, durante uma consulta realizada pela médica de família da paciente.
A ERS ordenou à unidade hospitalar que passe a registar “devidamente” todas as compressas e instrumentos utilizados nos trabalhos de parto, assegurando igualmente a sua correta remoção antes da alta hospitalar.
O regulador concluiu que os procedimentos de segurança existentes “não se revelaram suficientes à proteção dos direitos e interesses legítimos da utente”, nomeadamente no que respeita à qualidade e segurança dos cuidados prestados.
Além disso, a ERS exige que a ULS São João garanta um registo clínico “fidedigno, completo, organizado e atualizado” de toda a informação relativa aos cuidados de saúde prestados.
Entre as medidas determinadas estão ainda auditorias internas regulares para avaliar os procedimentos de prevenção e controlo da retenção de materiais clínicos durante os partos.