terça-feira, 18 ago. 2026

Enfermeira condenada por homicídio vai receber 30 mil euros por despedimento ilícito

Mariana Fonseca, condenada a 23 anos de prisão pelo homicídio de Diogo Gonçalves, vai receber uma indemnização de 30 mil euros da Unidade Local de Saúde do Algarve. Os tribunais concluíram que o despedimento foi ilegal, por ter sido aplicado fora do prazo previsto na lei.
Enfermeira condenada por homicídio vai receber 30 mil euros por despedimento ilícito

Apesar de cumprir uma pena de 23 anos de prisão pela coautoria do homicídio de Diogo Gonçalves, Mariana Fonseca verá reconhecido o direito a uma indemnização laboral. A Justiça confirmou que a Unidade Local de Saúde do Algarve despediu a antiga enfermeira fora dos prazos previstos na lei, mantendo a compensação de 30 mil euros.

A informação foi avançada pelo Jornal de Notícias, que revela que o mais recente recurso apresentado pela ULS do Algarve foi rejeitado pelo Tribunal da Relação de Évora, mantendo a decisão favorável à antiga funcionária.

Tribunal aponta atraso no processo disciplinar

Após ter sido conhecida a ligação de Mariana Fonseca ao caso, a então entidade empregadora avançou com um processo disciplinar que culminou no despedimento.

No entanto, tanto o Juízo do Trabalho de Portimão como o Tribunal da Relação de Évora entenderam que o procedimento não respeitou os prazos legais previstos, tornando o despedimento inválido.

Segundo o acórdão citado pelo Jornal de Notícias, a decisão não resulta de uma avaliação da gravidade dos factos imputados à enfermeira, mas sim do incumprimento dos prazos legais por parte da entidade empregadora.

A ULS do Algarve tentou reabrir o processo laboral após a condenação definitiva no processo criminal, defendendo que essa decisão justificava o despedimento. Contudo, a Relação de Évora recusou esse entendimento.

Condenação pelo homicídio de Diogo Gonçalves

O homicídio de Diogo Gonçalves, de 21 anos, ocorreu em 2020 e chocou o país. O jovem foi morto, esquartejado e o corpo foi abandonado em vários locais do Algarve.

Em primeira instância, Mariana Fonseca foi absolvida da acusação de homicídio e condenada apenas pela ocultação do cadáver.

Contudo, em 2023, o Tribunal da Relação de Évora alterou a decisão, condenando-a pela coautoria do homicídio. O Tribunal Constitucional confirmou posteriormente essa condenação, reduzindo a pena de 25 para 23 anos de prisão.

Fuga para a Indonésia antes de ser detida

Antes de cumprir a pena, Mariana Fonseca abandonou Portugal no verão do ano passado, alegando a sua inocência.

Permaneceu em parte incerta durante vários meses até ser localizada na Indonésia, onde acabou por ser detida ao abrigo de um mandado internacional e deportada para Portugal, em março deste ano.