terça-feira, 08 set. 2026

Elevador e calçada da Glória novos daqui a uns três anos

Já há planos para reabrir os elevadores históricos de Lisboa. É preciso aumentar a segurança e conservar valor patrimonial.
Elevador e calçada da Glória novos daqui a uns três anos

O Elevador da Glória, tal como o conhecemos, foi ferido de morte a 3 de setembro de 2025. Não será reparado nem voltará a subir e a descer a calçada carregado de turistas. A carruagem n.º 2, que sobreviveu ao acidente, é forte candidata a figurar no Museu da Carris. As duas carruagens do elevador do Lavra também nunca mais voltarão a transportar passageiros. O Museu Nacional Ferroviário, instalado no Entroncamento, e o Museu dos Transportes e Comunicações, da Alfândega do Porto, podem começar a enviar ofícios de candidatura à Direção-Geral do Património Cultural.

Os elevadores da Glória e do Lavra hão de ressuscitar, com os mesmos nomes. O aspeto visual será o mais possível semelhante ao atual. São monumentos nacionais, conjuntamente com o funicular da Bica. Os arquitetos e especialistas em património a contratar vão ser desafiados a apresentarem propostas para preservar as características que estiveram na origem dessa classificação. E também fazem parte do património turístico e iconográfico da cidade. Mesmo parados, continuam a ser fotografados diariamente por centenas de turistas.

As carruagens poderão conservar a cor, o interior em madeira e outros elementos tradicionais. Contudo, estruturalmente, serão equipamentos novos, concebidos segundo padrões de segurança contemporâneos. Há regulamentos a cumprir, relativos à proteção de cabines de transporte de passageiros. A substituição dará oportunidade de adequar a oferta da Carris aos valores atuais, como por exemplo a admissão de cadeiras de rodas.

A remodelação abrange os sistemas elétricos, a sinalização e a própria via. Está prevista a reconstrução integral do pavimento da Calçada da Glória. Nos carris e nas carruagens terão de ser instalados dispositivos de monitorização permanente, que passarão a vigiar em contínuo o comportamento dos travões e outros fatores críticos. É o oposto do que existia: um sistema em que a zona onde o cabo rompeu só era observável desmontando ‘pinhas’ e trambolhos, peças de amarração às carruagens.

SANTA JUSTA, EM 2027

O novo Glória dificilmente será inaugurado antes de 2029. Depois do projeto, terá de ser lançado o concurso público internacional. A maioria dos fornecedores deste tipo de equipamentos está sediada em países alpinos, com destaque para a Suíça e a Áustria. Em média, demoram dois anos a satisfazer as encomendas.

O novo Elevador do Lavra, irmão gémeo do Glória, será deixado para um pouco mais tarde, embora possa beneficiar da experiência acumulada com o primeiro projeto.

O Elevador de Santa Justa é o único que voltará a funcionar nos moldes atuais. Ainda assim, com reforço dos procedimentos e rotinas de segurança. Vai ser-lhe instalado um cabo novo, desta vez com todas as especificações exigidas para o transporte de pessoas. Está a ser submetido a auditorias de segurança ao sistema, incluindo uma a cargo do fornecedor do cabo, com o envolvimento de uma entidade externa certificada pela União Europeia para verificar a conformidade deste tipo de instalações.

Resta decidir o destino a dar ao funicular da Bica, que se encontra num limbo. Inaugurado em 1892, distingue-se num aspeto decisivo: o motor não viaja com os passageiros. Está no topo, sob a calçada, e é ligado à distância - antes de cada viagem, o guarda-freio telefona a um colega para pôr a máquina a trabalhar. Em cima da mesa ainda está a hipótese de manter o sistema atual, com medidas de reforço da segurança.