Quase 11 meses após o descarrilamento que provocou 16 mortos em Lisboa, o Ministério da Justiça assegura que não existem autópsias pendentes. A polémica surgiu depois de um vereador do PS ter levantado dúvidas sobre a conclusão dos exames médico-legais.
Em declarações à agência Lusa, o ministério assegurou que "não existem quaisquer autópsias por realizar", acrescentando que "as autópsias foram todas realizadas em 24 horas e que todos os relatórios foram concluídos. Foram 16 casos".
Dúvidas levantadas na Câmara de Lisboa
A controvérsia surgiu na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa, realizada na quarta-feira, quando o vereador socialista Pedro Anastácio questionou o executivo sobre alegadas autópsias ainda por concluir relativamente às vítimas mortais do acidente ocorrido a 3 de setembro de 2025.
Segundo o vereador, numa reunião realizada em junho com a administração da Carris terá sido referido que existiam exames médico-legais ainda pendentes, alegadamente por responsabilidade do Ministério Público.
Contudo, o Ministério da Justiça rejeitou essa versão e considerou que "a informação incorreta divulgada lesa a credibilidade, a idoneidade e o profissionalismo do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses [...] e contribui para minar a confiança dos cidadãos nas instituições".
Indemnizações continuam em diferentes fases
Na mesma reunião camarária, Pedro Anastácio pediu também esclarecimentos sobre o estado dos processos de indemnização das vítimas e respetivas famílias.
Em resposta à Lusa, a seguradora Fidelidade confirmou que os 40 processos relacionados com vítimas do acidente se encontram em diferentes fases de regularização. Segundo a empresa, em alguns casos já foram celebrados acordos indemnizatórios, enquanto outros aguardam documentação necessária ou a estabilização clínica das vítimas para avaliação definitiva das incapacidades e cálculo das compensações.
A seguradora garantiu ainda que continuará a acompanhar vítimas e familiares e assegurou o cumprimento integral das responsabilidades decorrentes do acidente.
Tragédia provocou 16 mortos
O descarrilamento do elevador da Glória ocorreu a 3 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e mais de duas dezenas de feridos, entre portugueses e cidadãos estrangeiros de várias nacionalidades.
A investigação ao acidente e os processos indemnizatórios continuam em curso.