quarta-feira, 22 jul. 2026

Elevador da Glória: Câmara de Lisboa considera “normal” que ainda haja vítimas sem indemnização fechada

Quase dez meses depois da tragédia que matou 16 pessoas, a autarquia admite que há compensações ainda em negociação. Número de processos pendentes e valores envolvidos continuam sem ser divulgados.
Elevador da Glória: Câmara de Lisboa considera “normal” que ainda haja vítimas sem indemnização fechada

A Câmara Municipal de Lisboa considera "normal" que ainda existam indemnizações por fechar após o acidente do elevador da Glória, quase dez meses depois da tragédia que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos.

O vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, afirmou esta quarta-feira que algumas compensações já foram pagas, mas que outras continuam em negociação, sem avançar quantos casos permanecem pendentes ou os valores envolvidos.

"As compensações estão a ser tratadas e já houve compensações pagas e há outras que ainda estão em negociação, porque há cidadãos que pedem valores com uma escala muito distinta. Isto acontece em todas as situações em qualquer parte do mundo", afirmou o responsável, na reunião pública da Câmara de Lisboa, citado pela agência Lusa

Gonçalo Reis reforçou que a existência de processos ainda sem acordo fechado faz parte deste tipo de situações, tendo em conta as diferentes circunstâncias de cada vítima e família.

"As compensações estão a ser atribuídas e é normal que algumas não estejam fechadas", afirmou o vice-presidente da autarquia, sem indicar quantas indemnizações já foram concluídas.

Oposição pede esclarecimentos sobre indemnizações e auditorias

O tema voltou a ser levantado pelo vereador do PS Pedro Anastácio, que pediu mais informações à governação PSD/CDS-PP/IL liderada por Carlos Moedas, nomeadamente sobre o apoio às vítimas e o avanço das auditorias destinadas a apurar as causas do acidente.

"São esclarecimentos que são devidos à cidade e que estão em falta", afirmou o socialista.

Pedro Anastácio questionou ainda quantas vítimas já tinham sido indemnizadas ou tinham chegado a acordo com a autarquia, mas a Câmara não divulgou números concretos.

O vereador defendeu que o apuramento das responsabilidades deve ser feito através de um processo "rigoroso, transparente e cabal", considerando que a memória das vítimas exige respostas sobre o acidente.

Câmara garante que auditorias estão a decorrer

Em resposta às críticas, Gonçalo Reis garantiu que os processos de investigação continuam em andamento e rejeitou a ideia de que os resultados das auditorias estejam escondidos.

"As auditorias não são secretas, as auditorias são técnicas e estão a decorrer", afirmou.

A Carris, empresa municipal responsável pelo elevador da Glória, está a realizar uma auditoria interna, enquanto a auditoria externa foi entregue ao CATIM, Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica.

Segundo o vice-presidente da Câmara, os relatórios serão analisados tecnicamente antes da divulgação das conclusões finais.

Solução para o elevador deverá ser apresentada nos próximos meses

Além das indemnizações e das investigações em curso, a Carris está também a trabalhar numa solução técnica para o futuro do elevador da Glória.

Gonçalo Reis adiantou que a proposta deverá ser apresentada "nos próximos meses", garantindo ainda que a administração da empresa municipal irá reunir-se com os partidos da oposição e com os deputados municipais para apresentar o ponto de situação.

O acidente aconteceu a 3 de setembro e provocou a morte de 16 pessoas, entre portugueses e cidadãos estrangeiros, além de mais de duas dezenas de feridos.