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O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) confirmou esta quinta-feira que o fenómeno El Niño já está instalado no oceano Pacífico e deverá manter-se ativo até ao início de 2027, existindo uma elevada probabilidade de evoluir para um episódio de grande intensidade.
Numa atualização sobre o estado do fenómeno climático, o IPMA refere que o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA) indica que o índice ENSO já entrou na fase El Niño, com a temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial cerca de 1,2 graus Celsius acima da média.
Segundo o instituto, os modelos de previsão apontam para uma probabilidade superior a 99% de o fenómeno persistir até ao início de 2027 e para uma probabilidade superior a 80% de atingir a categoria de El Niño muito forte.
O que é o El Niño?
O El Niño faz parte do ciclo climático conhecido como ENSO (Oscilação Sul-El Niño), que resulta da interação entre o oceano e a atmosfera no Pacífico equatorial.
Quando as temperaturas da superfície do mar ficam acima dos valores habituais, o fenómeno entra na fase El Niño. Pelo contrário, quando ficam abaixo da média, ocorre o fenómeno La Niña. Entre ambos existe uma fase considerada neutra, em que as temperaturas permanecem próximas dos valores normais.
Embora tenha origem no oceano Pacífico, o El Niño influencia a circulação atmosférica global, podendo alterar os padrões meteorológicos em diferentes regiões do planeta.
Maior risco de fenómenos extremos
O IPMA sublinha que os efeitos do El Niño em Portugal não são diretos nem estatisticamente significativos, embora o fenómeno possa influenciar indiretamente a variabilidade climática.
Ainda assim, o instituto garante que continuará a acompanhar a evolução da situação e a divulgar novas atualizações sempre que se justifique.
Já a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que, devido à intensidade prevista para este episódio, aumenta o risco de ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos, sobretudo nas regiões tropicais e equatoriais.
Entre os principais impactos esperados destacam-se ondas de calor mais intensas, episódios prolongados de seca e eventos de precipitação extrema, com potencial para provocar cheias e outros fenómenos severos em várias zonas do globo.