terça-feira, 08 set. 2026

Eclipse solar: estes sinais podem revelar danos nos olhos depois de olhar para o Sol sem proteção

Milhões de pessoas observaram o eclipse solar de 12 de agosto, mas nem todas utilizaram proteção adequada. Em Espanha, várias centenas procuraram assistência médica depois do fenómeno. Os especialistas alertam: uma lesão na retina pode não provocar dor e os sintomas podem surgir apenas horas ou dias depois.

O eclipse total do Sol de 12 de agosto levou milhões de pessoas a olhar para o céu, mas nem todos o fizeram com a proteção adequada. Agora, passada a euforia do fenómeno, surge uma pergunta para quem arriscou uma observação a olho nu: como saber se os olhos foram afetados?

A resposta não é tão simples como esperar que os olhos doam.

Uma das características mais preocupantes da chamada retinopatia solar é precisamente o facto de a lesão poder acontecer sem provocar dor no momento da exposição. A retina não possui recetores de dor e, por isso, uma pessoa pode lesionar as células responsáveis pela visão sem sentir imediatamente que algo está errado.

É também por isso que sentir os olhos secos ou irritados depois de horas a observar o fenómeno não significa necessariamente que exista uma queimadura da retina.

O eclipse já terminou, mas os efeitos podem surgir depois

O alerta ganha particular importância nos dias seguintes ao eclipse de 12 de agosto.

Em Espanha, vários serviços de urgência oftalmológica registaram um aumento do número de pessoas que procuraram assistência depois de observar o fenómeno. Segundo o El País, mais de 300 consultas relacionadas com o eclipse foram contabilizadas em várias regiões espanholas.

Na maioria dos casos conhecidos, os sintomas eram ligeiros, como comichão, irritação ou sensação de areia nos olhos. Estes sinais, por si só, não significam necessariamente que exista uma lesão da retina.

Uma eventual retinopatia solar pode manifestar-se de outra forma e não surgir imediatamente após a exposição, de acordo com o oftalmologista Filipe Mira em entrevista à RTP.

E é precisamente esta diferença que importa conhecer.

O que é a retinopatia solar?

A retinopatia solar é uma lesão da retina provocada pela observação direta do Sol sem proteção adequada.

Durante um eclipse, o fenómeno pode criar uma falsa sensação de segurança. Como a luminosidade diminui, algumas pessoas podem sentir menos desconforto ao olhar para o céu e acabar por permanecer mais tempo a observar o Sol.

Mas o facto de o Sol estar parcialmente oculto não significa que a radiação que chega aos olhos seja inofensiva.

A retina, localizada na parte posterior do olho, é responsável por transformar a luz em sinais que permitem ao cérebro construir as imagens que vemos. Uma exposição inadequada pode danificar as células desta estrutura, particularmente na região central responsável pela visão de maior precisão.

Como é possível haver uma lesão sem dor?

É uma das características que torna este tipo de lesão particularmente traiçoeiro.

Ao contrário de outras estruturas do olho, a retina não tem recetores de dor. Por isso, o momento em que ocorre o dano pode passar completamente despercebido.

Uma pessoa pode terminar a observação do eclipse, conversar normalmente, regressar a casa e não sentir qualquer dor nos olhos.

Isso não significa, porém, que a retina esteja necessariamente intacta.

Os sintomas relacionados com uma eventual lesão podem tornar-se evidentes apenas mais tarde. É por isso que a ausência de dor imediatamente depois do eclipse não deve ser utilizada como garantia de que não houve danos.

Qual é o primeiro sinal a que deve estar atento?

Uma das alterações que mais deve chamar a atenção é uma mudança na visão central.

Pode surgir uma mancha, uma zona desfocada ou até um ponto cego no centro do campo visual.

A pessoa pode continuar a ver normalmente à sua volta, mas perceber que existe uma pequena área onde a imagem não está igual.

Também pode acontecer que a visão pareça simplesmente menos nítida.

Uma alteração deste género depois de uma observação do eclipse sem proteção merece avaliação médica.

E se as linhas começarem a parecer tortas?

Outro sinal de alerta é a distorção das imagens.

Linhas que deveriam ser direitas podem parecer curvas ou onduladas. Uma porta, uma janela ou até as linhas de uma folha de papel podem parecer deformadas.

Este tipo de alteração pode ser particularmente importante porque a pessoa pode não perceber imediatamente que está relacionada com a visão.

Se a imagem parece diferente de um olho para o outro, ou se uma linha que deveria ser direita parece deformada, é aconselhável procurar avaliação oftalmológica.

As cores também podem mudar

Uma eventual lesão provocada pela exposição solar pode ainda alterar a forma como determinadas cores são percecionadas.

Algumas pessoas podem notar que as cores parecem menos intensas ou diferentes do habitual.

Este é outro sintoma que pode ser difícil de identificar.

Por isso, mais do que procurar apenas dor ou vermelhidão, importa prestar atenção a qualquer alteração nova da própria visão.

Olhar diretamente durante poucos segundos é suficiente para causar danos?

Não existe uma regra simples que permita dizer que determinada duração de exposição é segura.

O risco depende de vários fatores, incluindo a intensidade da luz e a forma como a exposição aconteceu.

Os especialistas alertam que mesmo uma observação breve sem proteção adequada pode ser suficiente para provocar uma lesão.

E os olhos vermelhos ou irritados?

Aqui é importante não confundir problemas diferentes.

Depois de passar várias horas ao ar livre, uma pessoa pode sentir os olhos secos, irritados ou com sensação de areia. Pode também ter lacrimejo ou dor de cabeça.

Em Espanha, muitos dos atendimentos registados depois do eclipse estiveram relacionados com sintomas deste género e não com lesões graves da retina.

O que deve merecer especial atenção são alterações persistentes da visão, sobretudo quando envolvem a zona central.

Quando é que deve procurar um oftalmologista?

Se depois de observar diretamente o eclipse sem proteção notar uma alteração nova na visão, não deve ignorá-la.

Entre os sinais que justificam uma avaliação estão:

  • visão desfocada ou menos nítida;

  • uma mancha ou ponto cego no centro da visão;

  • linhas direitas que parecem curvas ou onduladas;

  • dificuldade em distinguir detalhes;

  • alterações na perceção das cores;

  • maior sensibilidade à luz;

  • perda de visão.

A avaliação médica é particularmente importante se os sintomas forem persistentes ou estiverem a piorar.