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As perguntas “isto é verdade?” ou “será que é Inteligência Artificial?” são, provavelmente, das mais recorrentes em pleno 2026. A dúvida surge e agora a desconfiança é maior do que a certeza daquilo que nos passa no algoritmo.
A distinção entre o real e IA é difícil: até mesmo para aqueles que estão sempre atentos. Mas há dicas essenciais que podemos (e devemos) seguir para nos protegermos dos conteúdos manipulados que nos tentam fazer acreditar em coisas longe da realidade.
Como identificar conteúdos falsos/desinformação?
Conteúdos falsos distorcem o debate público e polarizam a sociedade, dificultando o processo de fazer escolhas informadas e livres de interferências.
Nesse sentido, o Parlamento Europeu lançou recomendações aos cidadãos para identificar conteúdos falsos, “perigosos para a democracia”.
Fique atento
Quando acede a conteúdos que lhe parecem informativos, deve sempre ler além do título/manchete. É importante ter o contexto e priorizar a substância acima do “comodismo” de ler apenas os títulos.
Aprenda a descodificar desinformação
Uma das melhores formas de identificar desinformação é prestar atenção à linguagem: se percebe que há um tendência para a emoção e para o chocante, provavelmente não é jornalismo e pode estar relacionada com uma campanha na tentativa de influenciar a opinião pública.
Neste sentido, deve sempre procurar, mais uma vez, o contexto para garantir que se informa em locais com credibilidade legítima.
Linguagem enganosa e afirmações vagas são também bastante usadas para enganar leitores ou levá-los a acreditar em algo com pouco contexto. Procure informação clara, livre de emoção e baseada em evidências.
Verifique a fonte
Quando for pesquisar as notícias do dia para se manter informada, garanta que prioriza fontes confiáveis com práticas transparentes. Em relação à comunicação social em Portugal, é importante informar-se em órgãos que estejam registados na entidade reguladora da comunicação social.
Para isso, basta ir ao site da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), procurar a secção de registos e pesquisar (pode ser por nome, entidade proprietária ou tipo de meio).
Verificação de factos
Antes de compartilhar, seja nas redes sociais, seja com a sua rede de familiares e amigos, verifique a precisão da informação que está a partilhar. Ajude a divulgar artigos verificados e que tenha a certeza que são credíveis e, acima de tudo, verdadeiros.
Verificação cruzada de informações
É normal que as técnicas de desinformação sejam cada vez mais sofisticadas e que muitas destas dicas não funcionem de forma implacável. Uma forma de tentar reforçar isso é comparar notícias de várias fontes para garantir que coincidem (é mais difícil que várias fontes estejam coordenadas a espalhar desinformação).
Investigue imagens ou vídeos
A desinformação também é, muitas vezes e cada vez mais, difundida através de conteúdos multimédia. Há formas de descobrir se o que está a ver é ou não autêntico (e vamos explicar-lhe tudo mais à frente).
Eduque-se
Um dos primeiros passos para identificar desinformação é estar informado sobre ela: as estratégias mais utilizadas, como circula e como a combater.
Incentivar o pensamento crítico
Promova em si e à sua volta uma cultura de pensamento crítico e de literacia mediática, cada vez mais importante na era digital. Incentive o ceticismo, a desconfiança do que vê nas redes sociais e a confiança nos órgãos de comunicação credíveis para mitigar a circulação de narrativas manipuladoras.
Denunciar conteúdo suspeito
Se durante todos estes passos perceber que está perante conteúdo de desinformação, denuncie de forma a ajudar também as plataformas a identificá-lo e a não permitir que continue a circular e a chegar a um público mais vasto.
O que são deepfakes?
Deepfakes são conteúdos falsos, normalmente vídeos e imagens, criados por inteligência artificial que utilizam a cara de uma pessoa e a colocam a dizer ou fazer algo que, na realidade, nunca aconteceu. A palavra pode ser dividida em duas: deep learning, que se refere aos sistemas de inteligência artificial, e fake (“falso”, em português), para se referir ao que é manipulado.
Estes conteúdos utilizam sistemas de Inteligência Artificial treinados com imagens, vídeos e gravações de voz que potencializam a credibilidade daquilo que geram.
De acordo com relatórios e estudos recentes, o número de partilhas de deepfakes tem registado um aumento significativo: de 500 mil partilhas em 2023 para cerca de oito milhões em 2025.
Estes conteúdos podem, muitas vezes, manchar reputações, sendo usados, por exemplo, para colocar figuras públicas a proferir discursos polémicos ou sensíveis que nunca existiram.
No entanto, um dos riscos que se tem vindo a acentuar é a manipulação de conteúdos de natureza sexual: através de imagens retiradas das redes sociais, sobretudo de mulheres, são criados materiais falsos em que aparecem nuas, posteriormente difundidos em plataformas como o Telegram ou até em sites pornográficos. Muitas vezes, quando as vítimas se apercebem, é tarde demais,
Como identificar imagens/vídeos gerados por Inteligência Artificial?
Comecemos por sinais que pode identificar a olho nu. Em vídeos que retratam pessoas, preste atenção ao olhar: vídeos manipulados por inteligência artificial muitas vezes não conseguem reproduzir por completo o olhar humano, deixando-o mais fixo, muitas vezes sem pestanejar, e com reflexos da luz que deixam dúvidas. Por outro lado, a reprodução da pele da pessoa também não costuma ser fidedigna: muitas vezes fica muito suave, sem imperfeições, ou esbatendo as linhas naturais do rosto.
Por vezes, o movimento das mãos e do resto do corpo não acompanha aquilo que a pessoa está a dizer: é outro sinal de que o vídeo provavelmente não é real.
Formas mais técnicas e com ferramentas mais sofisticadas incluem usar aplicações, como o Truth Scan ou o Google Gemini, onde pode fazer o upload do vídeo/imagem. A ferramenta irá detetar uma marca de água inserida em todas as imagens e vídeos gerados por Inteligência Artificial (à partida) e identificá-los de forma rápida. Não são ferramentas com 100% de eficácia comprovada, mas podem ser um avanço nos seus processos de verificação quanto àquilo que partilha.
Mais do que uma opção, a verificação consciente e o pensamento crítico permanente tornaram-se competências indispensáveis. Numa era em que tudo pode parecer verdadeiro, o verdadeiro poder está em saber questionar. A mudança começa em cada um: ao parar antes de partilhar, protege-se não só a si, mas também os outros.