Com uma página criada nas redes sociais designada "Relationchip", e os cartazes e os mupis espalhados pela rua, o produto não passou despercebido. O objetivo era promover uma inovação tecnológica que assumia a forma de dois dispositivos, que ao serem colocados nos antebraços de dois elementos de um casal lhes permitia controlar todas as movimentações e ter acesso à localização em tempo real, às passwords de redes sociais e até saber com quem é que o namorado/a está através dos contactos em comum.
Isto gerou múltiplas reações nas redes sociais, mas também algumas suspeitas que poderia ser uma campanha de marketing invertido.
Esta quinta-feira, a APAV confirmou nas suas redes sociais que o produto era fictício. A campanha foi lançada na semana que antecede o Dia dos Namorados e pretende chamar a atenção para comportamentos de controlo que continuam a ser desvalorizados, sobretudo entre os mais novos, salienta a associação.
“O RelationChip foi um produto fictício criado pela APAV para chamar a atenção para comportamentos controladores no namoro que, muitas vezes, já fazem parte do dia a dia dos jovens através do telemóvel, de forma normalizada. Ver a localização, pedir passwords ou controlar amizades não é amor. É violência. Muda o Chip”, lê-se numa publicação.
Depois do lançamento deste produto ter gerado "reações intensas" e "críticas generalizadas", a APAV confirma a autoria e esclarece o propósito: "expor e confrontar a normalização de comportamentos de controlo nos relacionamentos entre jovens".
Aquilo que parecia aberrante num chip é, na verdade, o que muitos casais fazem diariamente e normalizam", explica João Lázaro, presidente da APAV, que acrescente ser "fundamental clarificar que comportamentos de controlo não são provas de amor, mas sinais de violência no namoro. A campanha em curso visa precisamente alertar para essa realidade e reforçar a importância de relações baseadas no respeito e na autonomia".
Repare que, segundo dados divulgados pela associação, nos últimos quatro anos, foram acompanhadas 3.968 vítimas de violência em contexto de namoro ou após o fim da relação. Cerca de 30 por cento dos casos envolveram jovens até aos 25 anos. Entre as formas de violência registadas estão o controlo excessivo, agressões psicológicas, perseguição e violência sexual.