Doente oncológica em fase terminal teve de esperar no chão das urgências por falta de macas

Foi o filho da utente que fez o relato nas suas redes sociais, onde explica que a mãe, uma doente com cancro generalizado na zona abdominal, não se conseguia sentar e, por falta de macas, acabou deitada no chão. Antes disto, a utente já tinha estado mais de uma hora à espera de uma ambulância
Doente oncológica em fase terminal teve de esperar no chão das urgências por falta de macas

Uma doente oncológica em fase terminal foi gravada à espera no chão das urgências do Hospital de Coimbra, na passada quinta-feira, dia 8 de janeiro. O filho, João Gaspar, de 59 anos, relatou tudo numa “Carta Aberta ao SNS”, como lhe chamou nas suas redes sociais. 

“A minha mãe tem um cancro generalizado na zona abdominal. Faz quimioterapia, vive com dores constantes, tem bolsa de urina e saco para as fezes. Não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por muito tempo. Ainda assim, ontem foi tratada como se fosse apenas mais um corpo à espera”, começa por escrever. 

Segundo o relato, a família terá ligado para o SNS ainda em casa, porém “ninguém atendeu”. Falaram com o 112 que, quando os voltou a contatar, informou que teriam de esperar por “tempo indeterminado”, uma vez que não havia ambulâncias disponíveis. 

O filho acabou por transportar a doente no seu carro pessoal e, quando chegou à unidade de saúde, ofereceram uma cadeira de rodas para a transportar; no entanto, João Gaspar insistiu que a mãe teria que ser transportada numa maca, já que não aguentava estar sentada. “Pedi uma maca. Disseram-me que teria de ser eu a ir buscar. Não havia. Fui eu, com um familiar, que transportei a minha mãe para dentro do hospital”, explica. 

Ainda sem ser atendida, João Gaspar decidiu deitar a mãe numa manta trazida pela família. Na publicação, acrescenta: Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir.

Ao Correio da Manhã, Orlando Figueiredo, uma testemunha que assistiu ao sucedido, garante que “a mulher estava em sofrimento, mas foi rapidamente ajudada por todos”. 

Segundo a Sic Notícias, o Hospital de Coimbra já iniciou um processo de averiguações para esclarecer o sucedido. A doente oncológica terá voltado para casa, mas, após outro episódio de dores, está agora internada. 

Após o caso da sua mãe ser notícia, João Gaspar já fez um esclarecimento também nas suas redes sociais, onde garante que o seu relato "não foi um ataque político, nem uma defesa de qualquer ideologia". "O que está mal é a organização, as decisões tomadas sem preparação, os sistemas que mudam sem garantir resposta, e um modelo que acaba sempre por empurrar o peso do colapso para os doentes e para as famílias", pode ler-se na publicação, onde também defende que os próprios profissionais de saúde estão "exaustos" e "sabem melhor que ninguém as condições em que trabalham".

"O meu objetivo foi apenas expor uma situação real, vivida, dura, que não devia acontecer a ninguém", termina.