terça-feira, 21 jul. 2026

Doença crónica mais comum afeta quase um em cada três portugueses

As dores lombares foram a doença crónica mais frequente em Portugal em 2025, afetando cerca de 3,2 milhões de pessoas. O INE alerta ainda para os elevados níveis de excesso de peso, obesidade e hipertensão arterial na população
Doença crónica mais comum afeta quase um em cada três portugueses

As dores lombares foram a doença crónica mais prevalente em Portugal em 2025, afetando cerca de 3,2 milhões de pessoas com 15 ou mais anos, o equivalente a quase um terço da população residente.

De acordo com os resultados do Inquérito Nacional de Saúde 2025, ivulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as dores lombares lideram a lista das doenças crónicas mais reportadas pelos portugueses, sendo também um dos problemas de saúde que mais afeta os jovens adultos entre os 25 e os 34 anos.

Além das dores lombares, os portugueses apontaram como principais doenças crónicas a hipertensão arterial (25,6%), o colesterol elevado (23,8%), as dores cervicais ou problemas crónicos no pescoço (21,6%), as alergias (20,2%) e a artrose (19%).

Segundo o INE, todas estas condições afetam mais as mulheres do que os homens.

As diferenças são particularmente expressivas na artrose, reportada por 25,9% das mulheres e apenas 11,8% dos homens, nas dores cervicais (27,8% contra 15,1%) e nas dores lombares (37,1% contra 26,1%).

Problemas musculoesqueléticos surgem mais cedo

Os dados revelam ainda que as dores lombares e cervicais começam a aumentar significativamente a partir dos 45 anos, mais cedo do que outras doenças crónicas como a hipertensão, o colesterol elevado ou a artrose.

Nestes casos, o crescimento mais acentuado verifica-se entre os 55 e os 64 anos.

Já as alergias mantêm uma incidência relativamente estável ao longo das diferentes faixas etárias, registando apenas uma ligeira redução a partir dos 55 anos.

O estudo revela também números preocupantes relativamente ao peso da população portuguesa.

Em 2025, 57,1% dos adultos apresentavam excesso de peso ou obesidade, ou seja, tinham um índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 25 kg/m².

A pré-obesidade afetava cerca de 3,8 milhões de pessoas (39,7%), sendo mais frequente nos homens (45,8%) do que nas mulheres (34,1%).

Por sua vez, a obesidade atingia 1,7 milhões de adultos, correspondendo a 17,4% da população, com maior incidência entre as mulheres (19,5%) do que entre os homens (15,2%).

A faixa etária dos 45 aos 64 anos foi a mais afetada tanto pela pré-obesidade como pela obesidade.

Regionalmente, o Norte destacou-se como a região com menor taxa de obesidade do país, fixando-se nos 14,8%.

No entanto, apresenta simultaneamente uma das maiores proporções de pessoas em situação de pré-obesidade, com 42,9%, valor semelhante ao registado no Alentejo (42,7%).

Audição, visão e memória entre as principais dificuldades

O inquérito do INE analisou também dificuldades físicas e sensoriais sentidas pela população.

Ouvir em ambientes ruidosos, bem como problemas relacionados com memória e concentração, foram as limitações mais frequentemente apontadas, afetando cerca de 2,3 milhões de pessoas em cada caso, o equivalente a 22,8% da população com 15 ou mais anos.

As dificuldades de visão surgem logo a seguir, abrangendo cerca de 2 milhões de residentes (20,5%).

Relativamente à saúde oral, os resultados mostram uma avaliação globalmente positiva.

Cerca de 5,6 milhões de portugueses (56,4%) consideraram ter uma saúde oral boa ou muito boa, enquanto 31% classificaram-na como razoável e 11,9% como má ou muito má.

O estudo indica ainda que 60,7% da população consultou um dentista durante o último ano, enquanto 36,9% não o fazia há pelo menos 12 meses.

Os dados do INE traçam um retrato abrangente da saúde dos portugueses e evidenciam desafios persistentes relacionados com doenças musculoesqueléticas, excesso de peso e doenças cardiovasculares, áreas consideradas prioritárias pelas autoridades de saúde pública devido ao seu impacto na qualidade de vida e nos custos para o sistema de saúde.