Nada melhor do que começar a jornada no coração da Serra da Estrela, no planalto alto, junto às Penhas da Saúde e à Nave de Santo António, uma área plana e aberta a cerca de 1500 metros de altitude, entre a Torre e os Piornos. Acompanhar os primeiros passos do Rio Zêzere na descida é entrar na grandiosidade do seu Vale Glaciar. Com 13 quilómetros de extensão, preserva a paisagem da última era glacial.
À medida que perdemos altitude, as formas da serra ganham contornos mais brandos: em Manteigas e nas Penhas Douradas, o casario tradicional de pedra e xisto sobressai, suavemente envolvido pela vegetação densa da montanha. E no caminho começam a surgir Aldeias do Xisto. Barroca, situada nas vertentes da serra da Gardunha, é a ‘capital institucional’ das Aldeias do Xisto, estando aqui instalada a sede da ADXTUR (Agência para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias do Xisto), no Solar dos Marqueses da Graciosa, um edifício do século XVIII.
De Barroca saltamos para Janeiro de Cima, famosa pela sua ligação ao rio e à tradição dos barqueiros que faziam a travessia do Zêzere. Entrar no coração antigo da aldeia é um convite ao vagar: as ruas labirínticas entrelaçam-se entre casas acolhedoras com paredes de xisto. Por aqui vamos encontrar a Casa das Tecedeiras, onde se reinventa a tradição do linho apostando em peças de design moderno.
Seguimos para Janeiro de Baixo, em Pampilhosa da Serra, onde poderá fazer um percurso pedestre designado como o Caminho do Xisto de Janeiro de Baixo, que revela a encosta e a floresta da região. E pode refrescar-se na bela praia fluvial.
À medida que o itinerário se cruza com a bacia do Mondego, o curso de água rasga vales mais largos, ladeado por encostas agrícolas, vinhas e soutos centenários. Pode aventurar-se pelos passadiços que acompanham as suas margens e usufruir da magnífica vista.
Por fim, deixemos os grandes rios para trás e entramos na Serra da Lousã e em Figueiró dos Vinhos, até à aldeia de Casal de São Simão, no extremo sudoeste da serra da Lousã e que ocupa o topo de uma colina, rodeada pelas serras circundantes que a protegem. Foi recuperada com mestria e as suas ruelas convidam a um passeio demorado. Nomeadamente pelos passadiços, através de uma caminhada suspensa que liga a aldeia ao fundo do vale, oferecendo perspectivas deslumbrantes. E, se for hora do almoço, experimente o restaurante
Varanda do Casal, que apresenta uma cozinha contemporânea com alma tradicional.
É aqui que sobressaem as Fragas de São Simão, um desfiladeiro impressionante rasgado por duas cristas gigantescas de quartzito que se elevam a dezenas de metros de altura. No fundo da ravina, a 15 minutos da aldeia, fica a praia fluvial, aproveitando as águas da ribeira de Alge, que a caminho do Zêzere, são do mais límpido que existe. É o local perfeito para mergulhar no final deste percurso, ouvindo o murmúrio da água e o canto dos pássaros.