segunda-feira, 09 fev. 2026

Divulgados primeiros casos de fungo resistente a fármacos em Portugal

Este fungo é de propagação hospitalar, ou seja, por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde, ou com superfícies e equipamentos contaminados e destaca-se pela resistência comprovada a antifúngicos normalmente utilizados
Divulgados primeiros casos de fungo resistente a fármacos em Portugal

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu o estudo que identifica os primeiros casos do fungo Candida auris em Portugal, um fungo que se distingue pela resistência a inúmeros fármacos antifúngicos. 

Os resultados do estudo, que foram publicados na revista científica Journal of Fungi em outubro de 2025, incluem oito casos identificados em 2023, num hospital do norte do país. No entanto, a equipa certifica-se de que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeção, mas sim a comorbilidades severas dos doentes”, pode ler-se no resumo citado pela Agência Lusa.

Este fungo é de propagação hospitalar, garante Sofia Costa de Oliveira, docente da FMUP que coordenou o estudo, e sublinha que a relevância e preocupação com este fungo surge da fácil propagação em unidades de saúde e pela sua resistência comprovada a antifúngicos que “justificam o reforço de vigilância”. O microrganismo não é transmitido pelo ar, mas sim por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde, ou com superfícies e equipamentos contaminados.

O artigo resultou de um trabalho de investigação que também juntou Isabel Miranda, da FMUP e RISE-Health, Dolores Pinheiro, José Artur Paiva e João Tiago Guimarães, da FMUP e da ULS São João, Micael Gonçalves, do CESAM, e Sandra Hilário, da FCUP.

A Candida auris é uma levedura que pode causar infeções invasivas em doentes com fatores de risco, como doenças graves, tratamentos invasivos e uso de antibióticos e imunossupressores, segundo a Agência Lusa. É um fungo que foi identificado em 2009 no Japão e, desde então, que têm surgido infeções em mais de 60 países.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças  indicou que, entre 2013 e 2023, foram registados mais de 4.000 casos nos países da UE/EEE ( que inclui a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega).