Era a madrugada do dia 2 de maio. Um agente da PSP iria atender mais uma chamada que o faria achar que alguém se tinha enganado. Um "olá, tio" do outro lado deixou dúvidas.
Foi então que o agente decidiu elucidar a criança, ainda sem saber de que idade, de que estaria a ligar para um número de emergência. “Sim, eu sei, tio. Estou a ir para casa agora e estou com a minha mãe no carro", ouviu do outro lado, segundo a história contada pelos agentes à TVI/CNN Portugal.
Foi então que o agente percebeu que algo se passava. "Bastaram mais duas ou três perguntas" para o agente perceber que a criança precisava de ajuda, segundo revela o Coordenador Nacional do 112, superintendente Carlos Martins. “O agente adotou uma personagem de tio para que a rapariga conseguisse responder à informação mínima necessária para agir", revela.
Iam quatro pessoas naquele carro: a criança, a mãe, que dormia, o namorado e um filho bebé. Não era a primeira vez que o padrasto tinha comportamentos abusivos. Naquele dia, tinha tentado tocar nas suas partes íntimas quando esta percebeu que precisava de ajuda.
A conversa com o agente durou 14 minutos. Conseguiu dizer-lhe que a cor do carro era "red" (vermelho, em português), conseguiu dizer que a sua idade era "10+2" e deu ainda a morada da sua casa, onde os agentes da PSP, já alertados pelo 112, os esperavam para a detenção do padrasto, fingindo que era a morada do jantar (porque, recorde-se, estaria a falar com o tio).
Nessa noite, a mãe apresentou queixa por tentativa de abuso sexual e o namorado foi detido e constituído arguido. Foi na sequência da queixa que a menor revelou comportamentos abusivos anteriores.
O caso foi posteriormente entregue ao Ministério Público e à Polícia Judiciária e o agente que atendeu a chamada recebeu um louvor da direção nacional da PSP. Já a criança, "inteligente e perspicaz", fica com o reconhecimento de ter conseguido manter a calma numa situação extrema e de ter encontrado uma forma de pedir ajuda sem levantar suspeitas - salvando a sua família.