Diretora-geral da Saúde alerta para ressurgimento do sarampo devido à desconfiança nas vacinas

A diretora-geral da Saúde alertou no parlamento para o aumento da desconfiança nas vacinas e para o reaparecimento do sarampo em vários países. Rita Sá Machado garantiu que vacinas são seguras
Diretora-geral da Saúde alerta para ressurgimento do sarampo devido à desconfiança nas vacinas

A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, alertou esta terça-feira que a crescente desconfiança nas vacinas em vários países está a provocar o reaparecimento de doenças como o sarampo, garantindo que os portugueses podem confiar na segurança da vacinação.

“Todos nós estamos a ver claramente o que é que a desconfiança nas vacinas provoca noutros locais do mundo. Neste momento, já temos ressurgimento de sarampo em muitos dos estados dos EUA”, afirmou a responsável da Direção-Geral da Saúde durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde.

A audição foi solicitada pela bancada do Chega e incidiu sobre temas relacionados com vacinação contra a covid-19, farmacovigilância e transparência contratual.

Rita Sá Machado sublinhou que os portugueses e residentes em Portugal podem “confiar que é seguro vacinarem-se”, defendendo que as vacinas apenas são recomendadas após cumprirem todos os requisitos científicos, legais e regulamentares.

Segundo a agência Lusa, a responsável considerou ainda que a desconfiança na vacinação “já não é um pormenor”, alertando para o reaparecimento de doenças anteriormente controladas ou consideradas erradicadas em várias regiões do mundo.

Sobre a pandemia de covid-19, a diretora-geral da Saúde citou um estudo da Organização Mundial da Saúde segundo o qual a vacinação contra o coronavírus terá evitado cerca de 1,6 milhões de mortes na Europa.

“É importante olhar para quaisquer potenciais efeitos adversos, mas também para todas as vidas que foram salvas”, salientou.

Rita Sá Machado reiterou que as vacinas administradas em Portugal contra a covid-19 demonstraram “elevados padrões de qualidade, segurança e eficácia”.

Também ouvida pelos deputados, a ex-ministra da Saúde Marta Temido defendeu que o desenvolvimento acelerado das vacinas durante a pandemia não comprometeu a segurança dos medicamentos.

“Face à premência do que estava em causa, era urgente dispor de uma vacina contra a covid-19”, afirmou.

Segundo Marta Temido, o processo foi acompanhado por instituições europeias e entidades reguladoras internacionais, garantindo critérios científicos rigorosos e segurança na disponibilização das vacinas.

Um relatório publicado em 2023 pelo Infarmed indicou que foram registadas mais de 39 mil suspeitas de reações adversas às vacinas contra a covid-19 até ao final de 2022.

De acordo com o documento, estas notificações corresponderam a cerca de 1,4 casos por cada mil doses administradas em Portugal.

O relatório refere ainda que, entre o final de 2020 e dezembro de 2022, foram administradas quase 28 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 no país