Portugal registou um aumento da mortalidade fetal e da mortalidade infantil em 2024. Segundo o relatório “Mortalidade Fetal e Infantil 2022-2024”, divulgado esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), a taxa de mortalidade fetal — que corresponde aos óbitos de fetos com 22 ou mais semanas de gestação — subiu de 3,9 óbitos por mil nascimentos em 2022 e 2023 para 4,1 em 2024.
Em números absolutos, registaram-se:
325 óbitos em 2022
340 óbitos em 2023
346 óbitos em 2024
A DGS sublinha que se tratam de variações moderadas, associadas a múltiplos fatores cuja avaliação é complexa, mas considera que a tendência recente justifica um acompanhamento atento.
Mortalidade infantil também voltou a subir
O relatório indica ainda que a taxa de mortalidade infantil — que mede os óbitos de crianças nascidas vivas que morrem antes de completar um ano — voltou a aumentar em 2024.
Depois de ter descido de 2,7 óbitos por mil nados-vivos em 2022 para 2,5 em 2023, a taxa subiu para 3,0 óbitos por mil nados-vivos em 2024.
Em números absolutos, os registos foram:
229 mortes infantis em 2022
218 em 2023
257 em 2024
A maioria dos óbitos esteve associada a causas tratáveis, nomeadamente:
condições relacionadas com o período perinatal;
anomalias congénitas do sistema circulatório;
pneumonia por organismo não especificado.
Entre as causas consideradas preveníveis, o relatório destaca doenças infecciosas e respiratórias, anomalias congénitas associadas a defeitos do tubo neural e causas externas.
Diferenças entre regiões e nacionalidades
O documento refere que, no triénio analisado, as taxas de mortalidade fetal e neonatal foram mais elevadas entre mães de nacionalidade estrangeira.
A DGS alerta para a necessidade de considerar determinantes sociais, acesso aos cuidados de saúde e fatores de vulnerabilidade, que podem influenciar estes indicadores.
O relatório também aponta variações entre diferentes regiões do país, associadas às áreas das Unidades Locais de Saúde, o que pode refletir diferenças demográficas, socioeconómicas e na organização dos cuidados.
Portugal continua abaixo da média europeia
Apesar do aumento registado em 2024, o desempenho global de Portugal mantém-se melhor do que a média da União Europeia.
No triénio 2022-2024, a taxa média de mortalidade infantil em Portugal foi de 2,8 óbitos por mil nados-vivos, enquanto a média da União Europeia se situa em 3,3 por mil.
Estudo aprofundado até 2026
A DGS anunciou ainda que até ao final de 2026 será concluído um estudo retrospetivo sobre estes óbitos, recorrendo a novos instrumentos metodológicos para compreender melhor as causas e circunstâncias associadas.
A partir de 2027, as comissões locais passarão a realizar análises sistemáticas e contínuas de todos os óbitos fetais, infantis e até aos 18 anos, reforçando um modelo de vigilância ativa destinado a melhorar a prevenção e a qualidade dos cuidados de saúde.