segunda-feira, 17 ago. 2026

DGS divulga três novos guias para proteger população vulnerável durante ondas de calor

A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou três novos guias com recomendações para reduzir os riscos das ondas de calor, dirigidos a idosos, pessoas em situação de sem-abrigo, profissionais de saúde e instituições sociais. Os documentos incluem medidas de prevenção, orientações alimentares e alertam para os efeitos do calor extremo, numa altura em que as duas últimas ondas de calor provocaram 123 mortes em excesso em Portugal
DGS divulga três novos guias para proteger população vulnerável durante ondas de calor

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou três guias com recomendações destinadas a minimizar os impactos das ondas de calor nos grupos mais vulneráveis da população. Os documentos dirigem-se às unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), respostas sociais, equipas de rua, profissionais de saúde e parceiros que acompanham pessoas em situação de sem-abrigo, além de reunirem orientações sobre alimentação segura durante períodos de temperaturas elevadas.

A iniciativa surge numa altura em que Portugal enfrenta sucessivos episódios de calor extremo e em que as autoridades de saúde reforçam os apelos à prevenção, sobretudo junto das pessoas mais vulneráveis.

Idosos e doentes crónicos entre os grupos de maior risco

Num dos guias, a DGS lembra que as pessoas idosas, pessoas com deficiência e doentes crónicos estão entre os grupos mais suscetíveis aos efeitos das temperaturas elevadas.

Entre as principais recomendações estão a ingestão de pelo menos 1,5 litros de água por dia, mesmo na ausência de sede, a permanência em locais frescos ou climatizados e a redução da exposição ao sol entre as 11h00 e as 17h00.

A autoridade de saúde aconselha ainda a vigilância de sintomas como tonturas, fraqueza, dores de cabeça, desorientação ou cãibras, sinais que podem indicar exaustão pelo calor ou outras complicações associadas às altas temperaturas.

Reforço da proteção das pessoas em situação de sem-abrigo

Outro dos documentos é dedicado às pessoas em situação de sem-abrigo, consideradas pela DGS como um dos grupos mais vulneráveis durante as ondas de calor.

Além da exposição direta às temperaturas extremas, estas pessoas enfrentam frequentemente doenças crónicas, fragilidade física, insegurança alimentar, problemas de saúde mental e dificuldades no acesso aos cuidados de saúde.

Para reduzir os riscos, a DGS recomenda o reforço das rondas das equipas de rua nos dias mais quentes, a distribuição de água, sais de reidratação oral, roupa leve e chapéus, bem como a identificação de espaços de sombra e de arrefecimento.

O guia defende igualmente uma resposta articulada entre autarquias, proteção civil, segurança social, profissionais de saúde, organizações da comunidade e equipas de intervenção social, facilitando o encaminhamento rápido para os serviços de saúde sempre que existam sinais de exaustão pelo calor ou suspeita de insolação.

Alimentação e conservação dos alimentos também merecem atenção

O terceiro guia centra-se nas recomendações alimentares para períodos de temperaturas elevadas.

A DGS aconselha o consumo regular de água ao longo do dia, alimentos ricos em água — como fruta e hortícolas — e refeições leves, incluindo sopas frias.

Por outro lado, desaconselha o consumo de bebidas alcoólicas, açucaradas e energéticas, por poderem favorecer a desidratação.

O documento alerta ainda para a importância da correta conservação dos alimentos, uma vez que o calor favorece o desenvolvimento de microrganismos e aumenta o risco de intoxicações alimentares.

Entre as recomendações constam o transporte de alimentos refrigerados em sacos térmicos, a conservação dos produtos perecíveis abaixo dos 5°C, o consumo das sobras no prazo máximo de dois a três dias e a recomendação para não deixar alimentos ou garrafas de água dentro de veículos expostos ao sol.

Ondas de calor provocaram 123 mortes em excesso

Numa entrevista ao Público e à Renascença, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, revelou que as duas últimas ondas de calor registadas em Portugal provocaram 123 óbitos em excesso, um número que ficou abaixo das projeções do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Segundo explicou, a primeira onda de calor, iniciada em meados de junho, resultou em cerca de 60 mortes em excesso, valor em linha com as previsões. Relativamente à segunda vaga de calor, os dados provisórios apontam para 63 óbitos em excesso, contabilizados até 6 de julho.

Ainda assim, Rita Sá Machado sublinhou que será necessário aguardar cerca de duas semanas para avaliar o impacto real da mais recente onda de calor, lembrando que os efeitos das temperaturas extremas na mortalidade nem sempre se manifestam de forma imediata.

A DGS reforça, por isso, a importância da adoção de medidas preventivas, especialmente junto das populações mais vulneráveis, para reduzir os riscos associados aos episódios de calor extremo que poderão continuar a afetar o país durante o verão.