quinta-feira, 11 jun. 2026

Despesas de saúde estão a empurrar milhões para a pobreza. Um quarto da população mundial sente dificuldades

Relatório da Organização Mundial da Saúde alerta que 2,1 mil milhões de pessoas enfrentam problemas financeiros devido aos custos com saúde. Pandemia apagou quase uma década de progresso na esperança média de vida.
Despesas de saúde estão a empurrar milhões para a pobreza. Um quarto da população mundial sente dificuldades

Uma simples ida ao hospital ou a compra de medicamentos continua a ser suficiente para mergulhar milhões de famílias em dificuldades financeiras. O alerta é da Organização Mundial da Saúde, que estima que cerca de um quarto da população mundial enfrente problemas económicos devido às despesas com cuidados de saúde.

Os dados constam do relatório estatístico de 2026 da OMS e revelam que cerca de 2,1 mil milhões de pessoas sofreram dificuldades financeiras relacionadas com custos médicos entre 2015 e 2022. Destas, aproximadamente 1,6 mil milhões foram empurradas para situações de pobreza.

Segundo a organização, apesar de se verificar uma ligeira melhoria nos últimos anos, o progresso continua demasiado lento para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela Organização das Nações Unidas para 2030.

Custos de saúde continuam a pesar no orçamento das famílias

A OMS alerta que as despesas médicas continuam a comprometer necessidades básicas de milhões de pessoas em todo o mundo, reduzindo a capacidade de pagar alimentação, habitação ou outros serviços essenciais.

O relatório refere ainda que, se o ritmo atual se mantiver, “quase uma em cada quatro pessoas em todo o mundo continue a enfrentar dificuldades financeiras relacionadas com a saúde em 2030”.

O impacto económico é particularmente grave em países com sistemas de saúde frágeis ou com menor cobertura pública, mas a pressão sobre os orçamentos familiares também se faz sentir em economias mais desenvolvidas.

Covid-19 apagou quase dez anos de progresso

O documento estima ainda que tenham ocorrido 22,1 milhões de mortes em excesso associadas direta ou indiretamente à pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2023, valor muito acima dos sete milhões de óbitos oficialmente reportados.

Segundo a OMS, a pandemia “apagou quase uma década de progresso” na esperança média de vida e na esperança de vida saudável a nível global.

Além das mortes diretamente provocadas pelo vírus, o relatório aponta para consequências indiretas causadas por atrasos em tratamentos, interrupções nos serviços de saúde e agravamento das condições económicas e sociais.

Há progressos, mas desigualdades continuam a preocupar

Apesar do cenário preocupante, a OMS destaca alguns sinais positivos nas últimas duas décadas, incluindo a redução da mortalidade materna e infantil, a diminuição do consumo de tabaco e álcool e a queda nas novas infeções por VIH e tuberculose.

Entre 2010 e 2024, as novas infeções por VIH caíram 40% e a incidência de tuberculose desceu 12%.

No entanto, a organização alerta que continuam a existir profundas desigualdades entre regiões e populações mais vulneráveis. A situação poderá agravar-se devido à redução da ajuda internacional para a saúde, que a OMS estima ter caído entre 30% e 40% em 2025 face a 2023.

A agência das Nações Unidas teme que estes cortes possam afetar o acesso a vacinas, medicamentos essenciais e serviços básicos de saúde em vários países.