Uma equipa de arqueólogos da Universidade do Minho descobriu, em Alfândega da Fé, um conjunto de gravuras rupestres com cerca de seis mil anos que poderá ajudar a compreender as crenças e os rituais das primeiras comunidades que habitaram a região.
A principal descoberta, segundo a agência Lusa, foi feita numa rocha conhecida como Olival do Soldado, onde foram identificadas várias representações do Sol, designadas por "soliformes", gravadas por incisão e datadas entre o quarto e o terceiro milénio antes de Cristo, correspondendo aos períodos do Neolítico ou Calcolítico.
Segundo a arqueóloga Ana Bettencourt, estas gravuras foram reutilizadas séculos mais tarde, já na Idade do Ferro, altura em que foram acrescentados "motivos em u", também encontrados na vizinha Fraga da Ferradura.
A investigadora considera que este local poderá ter funcionado como um santuário ligado ao culto religioso e, possivelmente, como um calendário solar.
"Tudo na arte rupestre, que eram santuários, tinha a ver com o mundo religioso destas populações, tem um sentido, quer o painel escolhido, que é a superfície da rocha, quer a localização exata dos motivos", explicou à agência Lusa.
Os trabalhos arqueológicos permitiram ainda identificar novas gravuras e marcas interpretadas como "pegadas", associadas a percursos rituais até ao santuário.
As descobertas resultam de uma campanha realizada por alunos da Universidade do Minho, em parceria com o município de Alfândega da Fé. Além da limpeza das rochas, foram efetuados levantamentos tridimensionais e escavações arqueológicas, cujos resultados irão contribuir para o estudo e valorização deste património pré-histórico.