sexta-feira, 07 ago. 2026

Descobertas gravuras com cerca de 6 mil anos em Alfândega da Fé. Local podia ser antigo santuário solar

Arqueólogos identificaram representações do Sol gravadas na rocha que remontam ao Neolítico ou Calcolítico. O local poderá ter funcionado como um santuário e até como um calendário solar para as comunidades pré-históricas.
Descobertas gravuras com cerca de 6 mil anos em Alfândega da Fé. Local podia ser antigo santuário solar

Uma equipa de arqueólogos da Universidade do Minho descobriu, em Alfândega da Fé, um conjunto de gravuras rupestres com cerca de seis mil anos que poderá ajudar a compreender as crenças e os rituais das primeiras comunidades que habitaram a região.

A principal descoberta, segundo a agência Lusa, foi feita numa rocha conhecida como Olival do Soldado, onde foram identificadas várias representações do Sol, designadas por "soliformes", gravadas por incisão e datadas entre o quarto e o terceiro milénio antes de Cristo, correspondendo aos períodos do Neolítico ou Calcolítico.

Segundo a arqueóloga Ana Bettencourt, estas gravuras foram reutilizadas séculos mais tarde, já na Idade do Ferro, altura em que foram acrescentados "motivos em u", também encontrados na vizinha Fraga da Ferradura.

A investigadora considera que este local poderá ter funcionado como um santuário ligado ao culto religioso e, possivelmente, como um calendário solar.

"Tudo na arte rupestre, que eram santuários, tinha a ver com o mundo religioso destas populações, tem um sentido, quer o painel escolhido, que é a superfície da rocha, quer a localização exata dos motivos", explicou à agência Lusa.

Os trabalhos arqueológicos permitiram ainda identificar novas gravuras e marcas interpretadas como "pegadas", associadas a percursos rituais até ao santuário.

As descobertas resultam de uma campanha realizada por alunos da Universidade do Minho, em parceria com o município de Alfândega da Fé. Além da limpeza das rochas, foram efetuados levantamentos tridimensionais e escavações arqueológicas, cujos resultados irão contribuir para o estudo e valorização deste património pré-histórico.