segunda-feira, 09 mar. 2026

Desafio do Paracetamol preocupa especialistas: “Pode transformar-se numa emergência médica fatal”

As primeiras 24 a 48 horas após a toma podem ser assintomáticas. Quando os sinais clínicos começam a ser evidentes, "pode já ser demasiado tarde". Entre os sintomas mais comuns estão náuseas e dor abdominal.
Desafio do Paracetamol preocupa especialistas: “Pode transformar-se numa emergência médica fatal”

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) lançou um alerta esta sexta-feira para as consequências graves do novo desafio viral relacionado com a sobredosagem de Paracetamol.

"Os profissionais na área do transplante hepático testemunham diariamente consequências devastadoras da insuficiência hepática aguda (destruição do fígado irreversível), provocada por vários motivos", começam por explicar.

O "Desafio do Paracetamol" é uma tendência das redes sociais, sobretudo do TikTok, em que crianças e adolescentes tomam deliberadamente doses tóxicas do medicamento. Quem ingerir mais, ganha o desafio.

Mónica Sousa, membro da direção da APEF, alerta os jovens das implicações de uma "simples" tendência. "O que para muitos jovens pode parecer uma brincadeira inofensiva pode, em poucas horas, transformar-se numa emergência médica com desfecho fatal ou na necessidade de um transplante de fígado”, sublinha.

“É imperativo que a sociedade compreenda a gravidade deste fenómeno. O paracetamol, embora seguro nas doses recomendadas, possui uma margem terapêutica estreita. Uma sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves, irreversíveis e potencialmente fatais”, acrescenta ainda.

A associação pede atenção redobrada, já que as primeiras 24 a 48 horas após a toma podem ser assintomáticas e, quando os sinais clínicos começam a ser evidentes, "pode já ser demasiado tarde". Entre os sintomas mais comuns estão náuseas e dor abdominal.

A entidade científica apela ainda à procura de ajuda médica se suspeitar que alguém próximo tenha ingerido doses excessivas do medicamento. "Não permitamos que uma tendência irresponsável das redes sociais destrua o futuro dos nossos jovens”, reitera.

O apelo dirige-se a pais e professores para que falem abertamente com crianças e adolescentes, o público mais vulnerável a este tipo de desafios, sobre os perigos destas tendências, além de guardar os medicamentos em "locais seguros e inacessíveis". É pedida ainda uma responsabilização por parte das próprias plataformas digitais em remover conteúdos potencialmente "autolesivos".

Recorde-se que, nas últimas semanas, os alertas urgentes têm surgido entre vários países europeus. Em Portugal, o Hospital Santa Maria tem alertado para o aumento de intoxicações por sobredosagem de medicamentos de forma voluntária, acrescentando que, nos últimos seis anos, foram registados 232 casos naquele hospital (e tem vindo a aumentar ultimamente).

Já em França, a Agência Nacional de Segurança do Medicamento (ANSM) emitiu um alerta para atenção redobrada acerca da sobredosagem do medicamento, sendo esta a primeira causa de transplante hepático naquele país. Noutros países, como o Reino Unido, a venda de paracetamol é restrita a receita médica - e ainda assim, registaram casos de intoxicação.

O caso mais grave foi nos Estados Unidos, onde morreu um adolescente de 13 anos em 2023, na sequência de sobredosagem de um anti-histamínico.

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