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Julie, o último elefante de circo em Portugal, tornou-se a primeira habitante do Santuário de Elefantes Pangea, localizado entre os concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, no distrito de Évora. A chegada da elefanta assinala um momento simbólico para o bem-estar animal, marcando o fim da presença de animais selvagens nos circos portugueses e inaugurando aquele que é apresentado como o primeiro santuário de elefantes em grande escala da Europa.
Uma nova vida depois de décadas em cativeiro
Capturada ainda jovem em África, Julie chegou a Portugal em 1988 para integrar o circo Victor Hugo Cardinali, onde permaneceu durante quase quatro décadas. Depois da entrada em vigor da proibição da utilização de animais selvagens nos circos, em 2024, deixou de atuar, mas continuou ao cuidado dos seus proprietários enquanto não existia uma solução adequada para a acolher.
A transferência para o Santuário Pangea foi possível através de um acordo voluntário entre a organização responsável pelo projeto e o circo, permitindo que a elefanta inicie agora uma nova etapa num espaço concebido para responder às necessidades destes animais.
"A nossa experiência com Victor Hugo Cardinali tem sido incrivelmente positiva. Penso que, assim que chegámos a esse acordo, focámo-nos apenas no bem-estar da Julie e em tentar obter o melhor resultado para ela. Considero que esta é uma excelente base para mostrar que é assim que queremos trabalhar daqui para a frente", disse a diretora-geral da Pangea, Kate Moore, em declarações à Associated Press.
"Ela teve uma vida difícil, mas mostrou-se muito enérgica esta semana"
O santuário revelou que Julie "está a adaptar-se muito bem" e que "está rapidamente a sentir-se à vontade para escolher como passar o dia no seu novo ambiente", segundo a EuroNews.
"Infelizmente, os elefantes nascidos em cativeiro têm metade da esperança de vida de um elefante nascido na natureza, por isso não podemos saber ao certo quanto tempo ela ainda tem. Ela teve uma vida difícil, mas devo dizer que se mostrou muito enérgica no Pangea esta semana, por isso mantemos a esperança", afirmou Kate Moore.
Um espaço pensado para os elefantes
Com mais de 400 hectares, o Santuário Pangea foi criado para receber elefantes que viveram em cativeiro, oferecendo-lhes um ambiente onde possam explorar o habitat natural ao seu ritmo, acompanhados por equipas especializadas.
Segundo a organização, Julie já começou a adaptar-se ao novo espaço, onde teve oportunidade de caminhar livremente e até de tomar o primeiro banho de lama, um comportamento essencial para o bem-estar físico e emocional da espécie. Os responsáveis admitem que a elefanta continuará a necessitar de cuidados específicos devido à idade e aos problemas de saúde e mobilidade acumulados ao longo dos anos.
Mais elefantes deverão chegar
"Em breve, ela terá também companhia. Espera-se que Julie seja acompanhada ainda este ano por Kariba, outra elefanta africana, também capturada na natureza e na casa dos seus 40 anos, tal como Julie, e que vive atualmente sozinha num zoo na Bélgica.", pode ler-se na nota da organização.
O projeto tem capacidade para acolher até 30 elefantes provenientes de circos e jardins zoológicos europeus, procurando oferecer uma alternativa permanente para animais que já não podem permanecer nas atuais instalações.
Para os responsáveis, a chegada de Julie representa mais do que a inauguração de um santuário. É o início de uma nova fase para um animal que passou praticamente toda a vida em cativeiro e que terá agora a oportunidade de viver num ambiente mais próximo do seu habitat natural.