A criação de um curso de Medicina na Universidade de Évora sofreu um novo travão. A Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior voltou a rejeitar a proposta, apontando falhas estruturais consideradas decisivas para a não acreditação.
A decisão, agora tornada pública, confirma que o projeto não cumpre integralmente os requisitos exigidos, alinhando-se com a avaliação negativa já expressa anteriormente pela Ordem dos Médicos.
Entre os principais problemas identificados estão dúvidas quanto à sustentabilidade do curso, quer a curto quer a longo prazo, sobretudo ao nível de recursos humanos, financiamento e infraestruturas. A entidade reguladora alerta ainda para fragilidades no corpo docente, considerado insuficiente e com níveis de qualificação desiguais.
Outro ponto crítico prende-se ,com a ausência de condições adequadas para a formação clínica. A falta de um hospital universitário plenamente funcional e as limitações nas estruturas de simulação clínica, são vistas como entraves relevantes à qualidade do ensino proposto.
Este é o segundo “chumbo” em pouco mais de um ano. Após a primeira rejeição, a academia avançou com uma reformulação do projeto, mas as alterações introduzidas não foram suficientes para garantir luz verde.
A universidade ainda tentou reverter a decisão através de recurso para o conselho de revisão da A3ES, defendendo uma eventual acreditação condicionada. No entanto, o pedido foi recusado, com a entidade a sublinhar que o incumprimento de requisitos legais impede qualquer aprovação, mesmo com condições.
O processo volta assim à estaca zero, num momento em que a abertura de novos cursos de Medicina continua a ser tema sensível no ensino superior português.