sexta-feira, 13 mar. 2026

Criança de sete anos submetida a cirurgia errada: ia tirar um tumor benigno e acabou a ser operada a uma hérnia

O caso da criança estava a ser tratado na altura em que vigorava um acordo entre o Hospital de Braga e o Hospital Narciso Ferreira com a prestação de serviços médicos de cirurgia pediátrica em regime de ambulatório. Ambos os hospitais foram visados pela entidade reguladora.
Criança de sete anos submetida a cirurgia errada: ia tirar um tumor benigno e acabou a ser operada a uma hérnia

O caso remonta a setembro de 2023, mas as conclusões da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) foram emitidas esta terça-feira. A criança, na altura de 7 anos, foi erradamente submetida a uma cirurgia a uma hérnia, devido a um erro de identificação, de acordo com a Agência Lusa,

A criança foi encaminhada para o Hospital Narciso Ferreira, da Santa Casa da Misericórdia de Riba de Ave, para extrair uma neoplasia benigna da face (tumor não cancerígeno). No entanto, acabou a ser submetida a uma cirurgia laparoscópica de uma hérnia inguinal.

O caso da criança estava a ser tratado na altura em que vigorava um acordo entre o Hospital de Braga, que asseguraria os cirurgiões e respetivos processos clínicos dos utentes, e o Hospital Narciso Ferreira, responsável pela realização das cirurgias nas suas instalações, além dos equipamentos necessários e dos profissionais de saúde. O contrato visava a prestação de serviços médicos de cirurgia pediátrica em regime de ambulatório.

A entidade reguladora concluiu agora que os procedimentos de segurança cirúrgica "não foram corretamente observados", visando tanto o Hospital Narciso Ferreira, como a Unidade Local de Saúde de Braga. Segundo a ERS, os profissionais de saúde não verificaram a identidade da criança, nem conferiram o número de utente do paciente, "verificando-se que, no plano operatório elaborado pelo Hospital Narciso Ferreira, a utente se encontrava identificada por duas vezes, para intervenções distintas -- hérnia inguinal e neoplasia na face".

A ERS acusa ainda os hospitais de não terem preenchido as listas de verificação pré-operatória e de segurança cirúrgica, à responsabilidade da enfermeira circulante.

Perante isso, o regulador da saúde, "ponderadas as falhas verificadas em diferentes momentos críticos do ato cirúrgico", conclui que não foram devidamente observadas as normas e boas práticas de segurança cirúrgica previstas nas normas da Direção-Geral da Saúde.

A ERS emitiu então instruções às duas unidades de saúde, exigindo a garantia dos procedimentos de verificação e segurança cirúrgica, "com confirmação rigorosa da identificação dos utentes, com base não apenas no nome, mas também noutros dados, como a data de nascimento, o endereço ou o número hospitalar". A entidade sublinha ainda a necessidade de procesos de auditoria interna regular, para "avaliar a execução dos procedimento de verificação da qualidade e segurança cirúrgica".