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O aumento do nível de água e os recentes deslizamentos de terras junto à arriba fóssil de Santo António da Caparica, no concelho de Almada, estão a provocar preocupação entre moradores e instituições locais. Entre as estruturas em risco encontra-se o infantário Fundação Arcelina Victor dos Santos, que acolhe 33 crianças, segundo avança o jornal Observador.
Sandra Lopes, responsável pela creche, explicou ao jornal que vários pais foram contactados para recolher os filhos: “Falámos com a Proteção Civil e deram-nos o conselho de evacuar [o edifício]. A questão aqui passa mesmo pela quantidade de água que pode originar as enxurradas. Amanhã [quinta-feira] a creche estará encerrada por precaução”, afirmou, salientando que não existe “nenhuma ordem concreta” das autoridades.
Embora ainda não tenham sido anunciadas medidas oficiais de evacuação, fontes da GNR admitiram que poderá ser necessário retirar os moradores de toda a zona residencial próxima da arriba. A Junta de Freguesia da Costa da Caparica também confirmou que várias casas se encontram em áreas de risco, devido à possibilidade de enxurradas “a qualquer momento”.
A gravidade da situação é reforçada por relatos de moradores que decidiram abandonar as suas casas por iniciativa própria. Ana Saúde, residente na rua Fernão de Magalhães, explicou: “Esta questão começou há cerca de três dias com a queda de um eucalipto, que caiu de cerca do meio da falésia e fez danos na casa da minha vizinha. A Proteção Civil foi contactada, mas disseram que não poderiam retirar o eucalipto por causa da instabilidade da arriba.”
Durante a madrugada de quarta-feira, a situação agravou-se com deslizamentos de terras. A moradora ligou para a Proteção Civil que a informou que não tinham meios. "Só agora é que apareceram", lamenta.
Outras residentes relataram que a situação não é inédita. Durante chuvas intensas em dezembro, já tinham caído pedregulhos da arriba, mas o aumento da precipitação nos últimos dias tem intensificado os deslizamentos em pelo menos dois pontos da zona.
Até ao início da tarde desta quarta-feira, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, alertou para a situação no concelho, referindo que “as terras estão absolutamente alagadas em Almada”. No entanto, ainda não foram divulgadas medidas concretas para garantir a segurança dos moradores, nem indicações sobre possíveis evacuações massivas em Santo António da Caparica.