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O presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA) recusou tomar qualquer dose da vacina contra a covid-19. Durante a pandemia, nunca escondeu esse facto a amigos e conhecidos. João Almeida Lopes assumiu ter dúvidas quanto à eficácia e receios sobre a segurança de produtos introduzidos no mercado num tempo recorde, sem a bateria de estudos obrigatória em condições normais. Contactado esta semana pelo SOL, declinou fazer qualquer comentário.
O presidente da APIFARMA recomendava aos seus interlocutores uma alternativa às vacinas: comprimidos de ivermectina, para profilaxia e tratamento dos primeiros sintomas de covid-19. Trata-se de um fármaco antiparasitário reconhecido como melhor arma contra a pandemia por muitos médicos em todo o mundo. A sua descoberta, nos anos 1970, valeu aos investigadores o prémio Nobel da Medicina de 2015. Ainda hoje faz parte da lista de 100 medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS).
João Almeida Lopes não é o único. Outros altos responsáveis da indústria farmacêutica, assim como muitas dezenas de médicos, recusaram inocular-se com vacinas mRNA, tecnologia há muito desenvolvida pela indústria farmacêutica, mas nunca antes posta em circulação. A ideia de que quem não se vacinou é ‘ignorante’ ou ‘negacionista’ é falsa e disparatada. Muitos profissionais com conhecimentos científicos acima da média tomaram convictamente essa opção. O SOL conhece vários grupos da rede social WhatsApp – participados por dezenas de médicos – onde os cancros de evolução rápida na população jovem e as mortes súbitas de crianças e desportistas são considerados suspeitos de decorrerem de reações adversas.
O SEGREDO DA IVERMECTINA
Em 1975, o cientista japonês Satoshi Ōmura isolou uma bactéria do solo chamada Streptomyces avermitilis. A partir dessa bactéria, foram identificados compostos com forte ação antiparasitária. O pesquisador irlandês-americano William C. Campbell, trabalhando na empresa Merck & Co., ajudou a desenvolver esses compostos, levando à criação da ivermectina. Entrou no mercado em 1981, como antiparasitário de uso veterinário.
A primeira indicação terapêutica para humanos foi aprovada em 1987: tratamento da oncocercose, ou cegueira dos rios, uma das doenças parasitárias mais devastadoras em regiões tropicais. Nessa época, a OMS estimava a existência de 30 milhões de infetados e centenas de milhares de cegos, a maioria nos países da África subsaariana, mas também nalgumas regiões do Brasil, Venezuela e Guatemala. Causada pela picada da mosca negra – um pequeno inseto que vive perto de rios de corrente rápida – acometia comunidades rurais e pobres. Com facilidade afetava 60% a 80% da população adulta. A cegueira levava ao abandono de terras férteis. Por isso, à crise sanitária sucedia uma crise económica local.
A Merck americana (Merck Sharp & Dohme, como se apresentava na Europa) tomou uma decisão histórica para o seu prestígio junto da classe médica: a doação gratuita de ivermectina para combater a oncocercose em países endémicos. Como resultado, a prevalência caiu drasticamente e a transmissão foi mesmo eliminada em várias regiões da América Latina.
Depois do sucesso contra a cegueira dos rios, a ivermectina mostrou eficácia semelhante noutras doenças parasitárias, como sarna e estrongiloidíase, doença caracterizada por vermes intestinais potencialmente mortal quando encontra sistemas imunitários enfraquecidos, como o dos portadores de VIH-Sida.
MILAGRE EM PORTUGAL
Perante uma doença nova, com impacto pandémico como a covid-19, o papel da indústria farmacêutica é partir à descoberta de novas moléculas. Já os médicos, o mais natural é lançarem mão do arsenal terapêutico ao seu dispor para outras doenças. Foi o que aconteceu com a ivermectina, com resultados surpreendentes no tratamento precoce, aos primeiros sintomas, testemunhados por infecciologistas, internistas e especialistas em cuidados intensivos de todo o mundo.
Em 8 de dezembro de 2020, o chefe do Serviço de Cuidados Intensivos e diretor médico do Centro de Trauma e Suporte à Vida da Universidade de Wisconsin fez um apelo dramático ao uso de ivermectina contra a covid-19 no Senado dos Estados Unidos. «Este medicamento cura e salva vidas», garantiu Pierre Kory. Ele e outros médicos com extenso currículo científico desenvolveram um protocolo de profilaxia e tratamento dos primeiros sintomas da doença no seio da Front Line COVID-19 Critical Care Alliance, entretanto renomeada Independent Medical Alliance.
Este testemunho – assim como os resultados dos primeiros ensaios clínicos e estudos observacionais com ivermectina – chegaram cedo a Portugal. Henrique Carreira, especialista de Medicina Geral e Familiar com consultório em Porto de Mós, passava as noites a pesquisar na internet possíveis respostas para a pandemia. E foi assim que decidiu experimentar o medicamento quando foi confrontado com um surto na Casa de Repouso Alexandrina Bartolomeu, em Alqueidão da Serra.
O resultado foi espantoso. Em 24 horas, um grupo de 33 doentes de 70, 80, 90 anos e mais, com múltiplas doenças – diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, obesidade – começaram a reverter os sintomas. Em dois dias, estavam curados. Nenhum deles precisou de internamento hospitalar, apenas uma funcionária que recusou tomar ivermectina. Nessa altura, um surto matou 16 utentes e uma funcionária de um lar de idosos de Reguengos de Monsaraz. Henrique Carreira nunca mais dispensou a ivermectina: prescreveu-a a mais de mil doentes, durante as vagas mortíferas da doença. Registou dois casos de necessidade de internamento hospitalar e um óbito, de um homem com obesidade mórbida, que só começou a tratar demasiado tarde, numa fase de insuficiência respiratória instalada.
Ao contrário de outras moléculas experimentadas contra a covid-19 – como a hidroxicloroquina, por exemplo – a ivermectina tem a vantagem de ser um dos medicamentos mais seguros à disposição da humanidade: já tratou biliões de pessoas, sem efeitos secundários relevantes. Está autorizada em crianças, para o expurgo de lombrigas e tratamento de doenças cutâneas como a rosácea.
Em Portugal já não é comercializada em embalagens industriais, ao contrário do que sucede no Brasil ou na Índia, onde tem mais de 70 apresentações. É um manipulado de farmácia, que muitos médicos experientes, sobretudo dermatologistas e de MGF, ainda receitavam antes da pandemia. Nos últimos anos, passou a ser receitada por mais de uma centena de médicos, de todo o país e das mais diversas especialidades, contra a covid-19.
Uma sessão de formação às suas associadas promovida pela Associação Nacional das Farmácias (ANF), em fevereiro de 2021, reuniu sete defensores qualificados da ivermectina. Germano de Sousa, ex-bastonário; Helena Dias Alves, então presidente do Colégio de Imunohemoterapia da Ordem dos Médicos; António Ferreira, professor universitário e ex-presidente do Hospital de São João; os internistas Almeida Nunes e António Pedro Machado; Henrique Carreira; e o farmacêutico comunitário Pedro Ferreira. O vídeo registou mais de 200 mil visualizações na rede social Youtube, até ser censurado.