O corte de um pinheiro manso datado de 1940, localizado no pátio exterior da Sociedade Histórica da Independência, no Largo de São Domingos, em Lisboa, está longe de ser pacífico. A ordem de abate foi dada por José Ribeiro e Castro, diretor da sociedade, mas o SOL sabe que foi contra as recomendações dos técnicos da Câmara da capital que gerem esse espaço e afirmam que a árvore estava em boas condições. O SOL sabe que a Câmara já tinha feito uma intervenção, em 2024, no pinheiro, para que fosse montada uma grua, e tinha abatido um ficus sp localizado num canteiro, por as raízes estarem a comprometer a fachada do palácio.
Entendimento diferente tem o diretor da Sociedade Histórica da Independência, que pediu um parecer a dois ex-professores do Instituto Superior de Agronomia (ISA) que aponta para riscos de segurança e, a partir daí, contratou uma empresa para fazer o abate. Ao nosso jornal, Ribeiro e Castro diz que, apesar de se tratar de uma propriedade do Estado, a Sociedade Histórica, enquanto gestora, tem a responsabilidade da gestão do palácio. «Se acontecesse algum incidente, a responsabilidade era nossa, não era da Câmara. Foi nesse quadro que agimos, porque não tínhamos dúvida nenhuma sobre a perigosidade do pinheiro e que poderia ter consequências bastante nefastas, quer do ponto de vista patrimonial, quer pessoal».
E acena com as conclusões do parecer: «Dois especialistas apresentaram um relatório técnico bastante sólido. Nas conclusões chamam a atenção para graves problemas de estabilidade e equilíbrio que acarretam riscos significativos de queda e, por consequência, causar elevados estragos no limite até a morte de transeuntes. E, mais à frente, conclui que a árvore em causa, um Pinus pinea, deve ser abatida e removida o quanto antes», daí ter optado por seguir a orientação do parecer.
Uma situação que levou o PCP a pedir esclarecimentos a Carlos Moedas. «Os técnicos camarários sempre disseram que o pinheiro estava de perfeita saúde. Ribeiro e Castro perante estas dificuldades terá recorrido a um parecer de dois reformados do ISA para dizer que estava em risco. Um deles tem a particularidade de ter sido vice-presidente do CDS à época que Ribeiro e Castro era presidente do partido. Veja as coincidências», acusa João Ferreira ao nosso jornal.
O vereador comunista aponta ainda o dedo a Carlos Moedas por não dar explicações. «Independentemente de ter apresentado esse parecer como é que passámos desta situação para a árvore ser cortada. É essa parte que precisa de esclarecimentos», refere.
Quando questionada sobre esta situação, a Câmara de Lisboa não prestou qualquer esclarecimento até ao fecho da edição. Mas, em reunião da Assembleia Municipal, a vereadora de Espaços Verdes, Joana Baptista, esclareceu que o abate não foi da responsabilidade da autarquia. «A Câmara Municipal de Lisboa foi totalmente surpreendida e teve de manifestar o seu total desconforto perante esta ocorrência», referindo que o abate ocorreu durante o período noturno no fim de semana.
Ao SOL, Ribeiro e Castro explica que a operação foi feita à noite porque considerar que era perigosa. «Estamos a falar em derrubar uma árvore numa zona urbana, assisti toda a operação, desde a meia-noite até às 6h30 da manhã. Ninguém procurou esconder coisas nenhuma, é impossível esconder o corte de uma árvore, nomeadamente naquele local. Além disso, contratámos um serviço da Polícia Municipal». Ainda assim, reconhece que possa haver desconforto com toda a situação. «Há questões com a câmara municipal que compreendo e aceito que possam desagradar, mas agimos convencidos que havia motivo sólido e indiscutível para provocar o abate e foi forma de respeitar as responsabilidades», acrescenta.