terça-feira, 21 jul. 2026

Correia de Campos parte a loiça no SUCH e confirma irregularidades

É a peça que faltava na contestação à liderança do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais. Depois de denúncias anónimas sobre ‘irregularidades graves’, agora é um ex-ministro da Saúde a falar em incúria e nepotismo por parte da administração de Carlos Andrade Costa.
Correia de Campos parte a loiça no SUCH e confirma irregularidades

O ex-ministro da Saúde António Correia de Campos, atual provedor do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), juntou-se esta semana à onda de contestação que visa o presidente do SUCH, Carlos Andrade Costa, nomeado há seis meses pela ministra da Saúde e pelo ministro das Finanças.

A instituição, que presta serviços de manutenção, alimentação e higiene junto dos hospitais públicos e que conta mais de quatro mil funcionários, reuniu-se em assembleia-geral na última segunda-feira, dia 29, momento que Correia de Campos aproveitou para desfiar uma longa lista de alegadas atrocidades.

Disse que Andrade Costa, mal chegou ao cargo, iniciou uma «importação maciça de dirigentes, muitos deles sem experiência adequada», os quais substituíram dirigentes intermédios do SUCH e passaram a formar «um núcleo fechado de subordinados do presidente».

Acrescentou que «o modus operandi das substituições não decorreu em termos normais», pois vários quadros da instituição, alguns com décadas de casa, foram obrigados a cessar funções e a abandonar gabinetes «em poucas horas».

Revelou ainda que «a diretora de serviços financeiros foi interrogada de forma inquisitorial, em sala fechada, pelo advogado José Manuel Gião Falcato, sem mandato legítimo, em termos que ultrapassam o conceito de assédio laboral».

A intervenção do ex-ministro socialista consistiu na leitura de um documento escrito, que ele tinha preparado e cujo teor havia transmitido, três dias antes da assembleia-geral, à administração do SUCH, à ministra Ana Paula Martins e ao ministro Miranda Sarmento.

Depois da assembleia-geral, o próprio Correia de Campos tomou a iniciativa de enviar o escrito aos dois ministros.

As críticas do provedor são tanto mais relevantes quanto a contestação a Andrade Costa se baseava até agora em denúncias anónimas e fontes que não queriam ser identificadas.

Como se escreveu nestas páginas em inícios de maio, o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, que têm a dupla tutela do SUCH, receberam uma carta anónima de alguém que se identificava como «colaborador» da instituição e dizia ter «conhecimento direto» de «irregularidades graves» desde a entrada de Andrade Costa, incluindo «assédio laboral e clima de intimidação», «ameaças a trabalhadores e respetivas famílias» e «degradação significativa na capacidade operacional da entidade».

Esta semana, uma fonte bem colocada disse-nos que a atual administração «ainda não tomou uma única decisão estratégica» e isso «está a afundar» o SUCH. Fez também notar que em março Andrade Costa afastou de funções o diretor regional Abel do Ó, apesar de este ser responsável por 60% da faturação do SUCH, que no total atingiu 216 milhões de euros em prestações de serviços em 2025.

PS ESPERA MOMENTO CERTO

O Ministério da Saúde, o Ministério das Finanças e o presidente do SUCH foram contactados pelo SOL acerca das palavras de Correia de Campos. Não quiseram responder.

No entanto, na quinta-feira, num grupo do WhatsApp com profissionais do SNS, Andrade Costa, atirou-se a Correia de Campos. Escreveu que as acusações do provedor «estão repletas de inverdades» e que a atual administração «não se deixa intimidar».

O Governo entende que os problemas no SUCH devem ser resolvidos internamente, em vez de se tornarem um tema político, o que só iria acrescentar desgaste à imagem da ministra Ana Paula Martins.

O Chega tentou chamar Andrade Costa à comissão parlamentar de Saúde. Mas o requerimento foi chumbado em 20 de maio por PSD, PS e CDS-PP. O Livre votou a favor e a Iniciativa Liberal absteve-se.

Ao que ouvimos agora a fontes ligadas ao PS, o partido chumbou a audição proposta pela Chega por não querer que a direita liderasse a matéria, mas pretenderá retomar o assunto por sua iniciativa logo a seguir ao verão.