«Todos os nomes que referiu são nomes em que todos poderiam ser secretários-gerais, em que todos poderiam ser primeiros-ministros», foi assim que José Luís Carneiro respondeu, numa entrevista recente, quando confrontado com os nomes de Mariana Vieira da Silva, Duarte Cordeiro, Fernando Medina e Mário Centeno.
Em novembro de 2023, António Costa, então primeiro-ministro demissionário, levou ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o nome de Mário Centeno para liderar um Governo do PS, numa altura em que o partido dispunha de maioria absoluta. Recebeu um ‘não’ como resposta, mas o nome de Centeno ficou a pairar como uma possibilidade de liderança no universo socialista.
Agora, o atual governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, empurrou o seu antecessor para fora da instituição, através de uma reforma antecipada que tem dado que falar - o regime privilegiado, o precedente institucional, o choque com a realidade nacional e a incoerência com declarações passadas tornam-se um escolho difícil de ultrapassar no futuro. Ainda assim, questiona-se o tempo de «reforma» do ex-ministro das Finanças, depois de ter falhado a ida para o Banco Central Europeu (BCE), não passará pelo Largo do Rato, onde decorre, em paciente moderação, a liderança de Carneiro, que viveu uma semana intensa.
«Recordo que ganhei estas eleições com quase 67% dos votos, com quase 22 mil votos expressos em todo o país. Sinto uma legitimidade reforçada», disse Carneiro na mesma entrevista, referindo-se às recentes diretas em que foi candidato único. As declarações foram feitas no dia em que foi recebido formalmente pelo Presidente da República - antigo camarada de partido, hoje na distante condição de Presidente de todos os portugueses - e em que também se reuniu com o primeiro-ministro, numa conversa «não conclusiva» sobre matérias que «mantém em reserva», enquanto aguarda o «tempo da reflexão e da decisão» de Luís Montenegro.
Quanto aos nomes que se adivinham para lhe disputar o espaço interno, o secretário-geral do PS sublinhou que «conta com todos» para o ajudarem «nesta tarefa de serviço ao país» e reiterou que quer «contar com todos na sua liderança».
Ainda assim, não nos parece que vá sair em ombros do Congresso Nacional, que terá lugar nos dias 27, 28 e 29 de março, em Viseu. Para já, e deste grupo, apenas Mariana Vieira da Silva tem presença confirmada, tendo garantido ao SOL que estará presente. Mário Centeno e Duarte Cordeiro encontram-se fora do país, em compromissos profissionais, e o nome de Fernando Medina não foi confirmado por fontes socialistas. Já o antecessor de Carneiro, Pedro Nuno Santos, foi convidado, mas não há quaisquer garantias de que venha a estar presente.