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Figueiró dos Vinhos atravessa horas de grande aflição na sequência da passagem da depressão Kristin. O presidente da Câmara, Carlos Lopes, lançou esta quarta-feira um apelo urgente ao Governo, alertando para o isolamento total do concelho e para uma situação que descreve como dramática.
“Estou a ligar do telefone satélite dos bombeiros porque, efetivamente, não temos comunicações. Nenhuma rede móvel funciona nesta terra, neste concelho. Nós não temos possibilidade nenhuma de falar com o exterior e estamos neste momento a pedir socorro”, afirmou o autarca, em declarações à agência Lusa.
A dimensão da crise levou o responsável máximo do município a assumir o desespero vivido no terreno.
“Estamos, neste momento, completamente desesperados e não sabemos o que é que podemos fazer”, sublinhou.
Segundo Carlos Lopes, o concelho apresenta um cenário de destruição generalizada, com falhas graves nos serviços essenciais. Figueiró dos Vinhos está sem energia elétrica, sem comunicações e com reservas de água apenas para cerca de 12 horas em várias freguesias.
“Estamos completamente isolados. Figueiró dos Vinhos considera-se completamente isolado do resto do distrito, da região e do país”, declarou o autarca, reforçando o pedido de ajuda às autoridades centrais. “É fundamental que o Governo olhe para este território e equacione a possibilidade de decretar o estado de calamidade.”
O mau tempo provocou danos significativos em infraestruturas municipais, sinalização, muros e estradas, com várias derrocadas. Os serviços municipais e de proteção civil tentam intervir, mas enfrentam dificuldades de acesso a várias zonas do concelho.
O autarca alertou ainda para a situação das habitações, referindo que em todas as povoações há “centenas de coberturas destruídas”. Algumas famílias poderão ter de ser realojadas. “Há casas que estão completamente a céu aberto e já não têm condições para manter as pessoas.”
Num apelo carregado de emoção, Carlos Lopes lembrou que esta é a segunda grande tragédia a atingir o concelho em poucos anos, após os incêndios de 2017. “Precisamos muito da solidariedade do Governo e das entidades públicas para responder a uma população que está a viver, novamente, um momento devastador.”
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental deixou cinco mortos, vários desalojados e um vasto rasto de destruição, afetando sobretudo os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa, com cortes de energia, água, comunicações e fortes constrangimentos nos transportes.