segunda-feira, 09 mar. 2026

Comandante da GNR de Tavira acusado de tortura

O detido terá sido intimidado e espancado várias vezes pelo comandante após terem entrado em conflito no momento da detenção.
Comandante da GNR de Tavira acusado de tortura

O caso remonta a 1 de abril de 2025. Mbarek Mouine tinha sido detido em flagrante delito após ser suspeito de uma onda de roubos de bicicletas na zona da praia do Barril, em Santa Luzia.

Ao que noticia o jornal Expresso, quando foi apanhado, o luso-marroquino "não queria ser detido". A acusação do Ministério Público a que o semanário teve acesso explica que, devido à resistência do suspeito, este e o comandante envolveram-se numa luta que acabou com a intervenção dos restantes militares presentes.

O suspeito ficou "com lesões na cara e no corpo". Já o sargento sofreu "ferimentos numa mão que fez com que sangrasse bastante", de acordo com a acusação.

No entanto, o conflito não ficou por aí. Já algemado, Mbarek foi agredido pelo comandante Ricardo Sousa com dois socos na cabeça. Após ser levado para a esquadra, voltou a ser agredido pelo mesmo comandante, que o deitou ao chão com uma estalada. "Vês o que fizeste?", perguntava repetidamente, referindo-se ao ferimento que tinha na mão.

O luso-marroquino passou duas noites numa cela, onde o espancamento não terminou. "Não quero voltar a ver-te em Tavira, enquanto eu aqui estiver não voltas a por aqui os pés", dizia-lhe o comandante, de acordo com a acusação.

"O acusado quis tratar de forma cruel e degradante Mbarek Mouine, de modo a castigar o mesmo", diz António Ventinhas, o procurador encarregue do caso. Já a defesa de Ricardo Sousa nega todas as acusações.

Mbarek Mouine acusou ainda outro militar da GNR de agressão, mas o Ministério Público arquivou a queixa por a considerar "inconsistente".

O comandante está acusado de tortura e danos por ter partido três câmaras de videovigilância nas buscas a Mbarek.

Ricardo Sousa foi afastado do posto da GNR de Tavira, estando agora em funções numa unidade operacional da GNR a pedido do Ministério Público.

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