O ciberataque que, na semana passada, atingiu várias empresas do grupo Águas de Portugal não afetou o fornecimento de água em Portugal, garantiu esta sexta-feira a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
"O ataque ficou contido à parte administrativa e não chegou a nenhum sistema público de fornecimento de água", afirmou a governante aos jornalistas na Ericeira.
O ataque ocorreu na passada sexta-feira e afetou os sistemas de informação de várias empresas do grupo, que comunicaram a situação à Polícia Judiciária e a outras entidades responsáveis pela cibersegurança.
Segundo Maria da Graça Carvalho, quando o incidente foi identificado, a situação estava "praticamente resolvida", pelo menos no que diz respeito à contenção do ataque.
Ataque provocou constrangimentos administrativos
A ofensiva informática provocou condicionalismos temporários em processos administrativos e nos canais de contacto com clientes e parceiros de algumas empresas do grupo Águas de Portugal.
A ministra sublinhou, contudo, que não houve impacto nos sistemas públicos responsáveis pelo fornecimento de água.
Maria da Graça Carvalho revelou também que os investimentos considerados mais urgentes para reparar os danos provocados pelas tempestades de janeiro e fevereiro nas praias portuguesas foram concluídos antes do início da época balnear.
"Os mais urgentes foram feitos. Foram feitos antes da época balnear. Há várias obras que foram consideradas não tão urgentes que vão continuar", explicou.
Entre as principais intervenções já concluídas estão as obras de Quarteira, no concelho de Loulé, com um investimento de 15 milhões de euros, e da Costa da Caparica, em Almada, que representaram um investimento de 10 milhões de euros.
A ministra falava na Ericeira, onde visitou uma intervenção na praia do Algodio.
59% das praias continuam abaixo dos valores de referência
A governante comentou também os dados divulgados na quinta-feira pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), segundo os quais 41% das praias monitorizadas recuperaram ou ultrapassaram os valores médios de largura e volume sedimentar.
Os restantes 59% permanecem abaixo dos valores de referência, evidenciando que os défices sedimentares continuam a afetar uma parte significativa das praias analisadas.
Maria da Graça Carvalho garantiu que estão previstas novas intervenções até 2028, financiadas através do Programa Operacional para a Ação Climática e Sustentabilidade 2030.
"Esperamos que a maior parte delas sejam executadas para o ano. Mas este ano já fizemos muito e quem vai às praias já pode ver", afirmou, citada pela agência Lusa.
Obra na Ericeira custa 1,1 milhões de euros
A intervenção na praia do Algodio, na Ericeira, começou em maio e deverá estar concluída em outubro. O investimento ascende a 1,1 milhões de euros.
Segundo a ministra, a obra pretende reforçar a segurança da praia e das habitações localizadas junto à arriba: "Esta é uma das que nos preocupavam mais e agora vai ficar com muito mais segurança".
A intervenção pretende ainda corrigir problemas existentes e proteger tanto as habitações como os utilizadores da praia.
Fuseta terá nova intervenção estrutural
No Algarve, depois da intervenção de emergência realizada para repor areia na praia da Fuseta, está prevista uma nova obra, de caráter mais estrutural, a partir de outubro.
O investimento será superior a um milhão de euros.
A ministra defendeu que a recuperação das praias é importante não apenas para garantir a segurança das populações, mas também para preservar a capacidade de atração turística das zonas costeiras e apoiar a economia local.