segunda-feira, 17 ago. 2026

Cesarianas programadas disparam em Portugal e já representam mais de quatro em cada 10 cirurgias

Os partos por cesariana continuam a aumentar e a mudança mais significativa aconteceu nas intervenções programadas, cuja proporção quadruplicou em apenas um ano. Nos hospitais privados, já ultrapassam os 55%.
Cesarianas programadas disparam em Portugal e já representam mais de quatro em cada 10 cirurgias

As cesarianas programadas registaram um aumento sem precedentes em Portugal durante 2025, passando de 10,2% para 41,3% do total de cesarianas realizadas, revela um relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Os dados mostram uma alteração significativa na forma como este tipo de parto é realizado, sobretudo no setor privado, onde 55,3% das cesarianas já são programadas.

No total, realizaram-se 83.089 partos em Portugal continental no ano passado, mais 3,6% do que em 2024. Cerca de 80% dos nascimentos ocorreram no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Norte concentraram quase oito em cada dez partos.

Cesarianas continuam a representar quase 40% dos partos

A taxa global de partos por cesariana voltou a subir, ainda que de forma ligeira, passando de 38,7% em 2024 para 39,1% em 2025.

O setor privado continua a apresentar a maior proporção de cesarianas, com 62% dos partos, enquanto no SNS este tipo de intervenção representa 33,3%.

Segundo a ERS, no SNS predominam as cesarianas classificadas como urgentes ou emergentes, que representam 71% deste tipo de cirurgias. Já nas unidades privadas, a maioria das cesarianas é realizada de forma programada.

De acordo com a norma da Direção-Geral da Saúde, a cesariana urgente é indicada quando existe uma situação clínica que exige intervenção rápida, mas sem perigo iminente para a mãe ou para o bebé. Já a cesariana emergente é reservada para situações em que existe risco imediato, devendo ser realizada "o mais brevemente possível".

O relatório revela ainda que 58% de todas as cesarianas realizadas em 2025 aconteceram antes do início do trabalho de parto, uma realidade mais frequente nas unidades privadas do que nos hospitais do SNS.