segunda-feira, 18 mai. 2026

Caso de grupo neonazi em Portugal tem 11 arguidos e ramificações internacionais

Entre o material apreendido encontram-se seis armas de fogo produzidas com tecnologia de impressão 3D — um fenómeno ainda inédito em investigações deste tipo em Portugal
Caso de grupo neonazi em Portugal tem 11 arguidos e ramificações internacionais

O processo que investiga o grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) conta já com pelo menos 11 arguidos, quatro dos quais em prisão preventiva desde junho de 2025, e envolve suspeitos identificados dentro e fora de Portugal.

A informação consta de uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, datada de 22 de abril, que confirmou a classificação do processo como de especial complexidade — um estatuto que permite ao Ministério Público mais tempo para deduzir acusação, neste caso até junho.

Segundo o Ministério Público, a investigação abrange “muitos indivíduos identificados por todo o país e também no estrangeiro”, com suspeitos a desempenharem diferentes papéis, o que dificulta a sua responsabilização individual.

As autoridades estão a analisar centenas de milhares de ficheiros digitais recolhidos em buscas realizadas em junho do ano passado, que incluíram computadores, telemóveis, tablets e discos externos com mais de oito mil gigabytes de informação.

O processo envolve ainda pedidos de cooperação internacional, nomeadamente sobre o uso de armas fabricadas por impressão 3D e ligações a redes extremistas de direita radical.

Armas 3D e suspeitas de terrorismo

Entre o material apreendido encontram-se seis armas de fogo produzidas com tecnologia de impressão 3D — um fenómeno ainda inédito em investigações deste tipo em Portugal, segundo o Ministério Público.

Os arguidos estão indiciados por crimes relacionados com organização terrorista e infrações terroristas, com penas que podem ir dos 8 aos 15 anos de prisão.

O Ministério Público descreve o grupo como uma organização estruturada, com atuação prolongada e recurso a mecanismos de ocultação típicos de redes criminosas.

De acordo com a investigação, o MAL operava como um movimento nacionalista extremista, promovendo propaganda anti-imigração e discurso de ódio contra imigrantes e refugiados.

O grupo terá recrutado centenas de candidatos através de formulários detalhados, privilegiando indivíduos com conhecimentos no manuseamento de armas.

Entre os detidos está um agente da Polícia de Segurança Pública, que se encontrava em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa e que alegadamente desempenhava funções no processo de recrutamento.

A investigação continua em curso, sendo considerada pelas autoridades como particularmente sensível e de elevada perigosidade, devido à natureza dos crimes e à dimensão da rede em análise.