segunda-feira, 18 mai. 2026

Carris abre inquérito após mulher com hijab ser impedida de andar num autocarro em Lisboa

Utente diz ter sido impedida de viajar por usar máscara e véu islâmico. Caso gera polémica e chega à Câmara de Lisboa.
Carris abre inquérito após mulher com hijab ser impedida de andar num autocarro em Lisboa

Uma mulher muçulmana afirma ter sido impedida de viajar num autocarro da Carris, em Lisboa, por usar hijab e máscara, num episódio que está agora sob investigação interna da transportadora.

O incidente terá ocorrido na passada sexta-feira, na carreira 737, quando a passageira, de 26 anos e de nacionalidade bengalesa, tentava regressar a casa após deixar os filhos na escola. Segundo o relato, o motorista terá alegado que não podia entrar com o rosto tapado.

Perante a exigência, a mulher diz ter baixado a máscara para mostrar a cara, mas, ainda assim, o condutor terá insistido na remoção completa da mesma, sob pena de não iniciar a viagem. A situação acabou por escalar, levando a utente a abandonar o autocarro.

Em reação, a Carris confirmou a abertura de um inquérito para apurar o que aconteceu, garantindo que atua de acordo com princípios de inclusão, respeito pela diversidade e cumprimento das normas legais.

O caso já motivou uma queixa formal por parte da utente e chegou ao plano político. O Bloco de Esquerda questionou a Câmara Municipal de Lisboa, defendendo que a situação deve ser analisada de forma mais ampla e não apenas como um episódio isolado.

A vereadora Carolina Serrão considera que o caso levanta questões sobre formação profissional, orientações internas e cultura organizacional da empresa pública.

O desfecho do inquérito poderá determinar eventuais medidas disciplinares, num caso que reacende o debate sobre discriminação e convivência num espaço público cada vez mais diverso.