quarta-feira, 13 mai. 2026

Cansaço ou stress crónico? O seu corpo pode estar a avisar antes de si. Saiba a diferença que pode mudar a sua saúde

O cansaço faz parte do dia a dia, é inevitável. Mas quando se prolonga e afeta a capacidade de funcionar no dia a dia, pode já não ser apenas fadiga: é um sinal de "burnout".
Cansaço ou stress crónico? O seu corpo pode estar a avisar antes de si. Saiba a diferença que pode mudar a sua saúde

Burnout é uma palavra que temos ouvido muito. Ora porque se trabalha muito, ora porque não se tem tempo para cuidar de si: e às tantas já é um termo banalizado. Mas quando é que sabemos se estamos “só” cansados ou numa condição médica mais grave?

A síndrome de burnout foi classificada como uma doença do trabalho em 2019 pela Organização Mundial de Saúde. Caracterizada como “síndrome do esgotamento profissional”, tem tido um aumento significativo de casos com o avançar dos anos, em especial após a pandemia da Covid-19. 

Um inquérito realizado em 22 países, divulgado pela agência Lusa, mostrou que 61% dos portugueses já se sentiram esgotados e/ou em risco de burnout, mas apenas 3% desses fazem terapia. 

Então qual é a verdadeira diferença?

Estar cansado é normal. Inevitável até. Apenas uma percentagem muito reduzida da população consegue, na vida adulta, cumprir com os requisitos para evitar o cansaço a 100%. A fadiga, neste caso, costuma ser temporária e desaparece com o sono, o descanso, ou até uma pequena pausa durante o dia. 

Ou seja, se parar ajuda a descansar, então provavelmente é apenas cansaço. 

O burnout é mais do que um cansaço físico. De acordo com especialistas, é um cansaço que “faz questionar o propósito, perder a motivação e destruir o bem-estar emocional”. O hospital CUF define-o como uma “entidade que pode surgir como resposta à exposição a um stress laboral crónico, perante o qual a pessoa sente que não tem estratégias adaptativas para lidar”.

Geralmente resulta num stress crónico, em exaustão emocional e numa sensação de desapego das responsabilidades do dia a dia. No entanto, pode ser revista em três níveis diferentes: o primeiro é uma exaustão emocional, onde a pessoa sente sobrecarga e desgaste, sente falta de energia e o trabalho passa a ser uma parte dolorosa da sua vida. O segundo nível mais grave é quando o paciente se distancia da realidade e começa a sentir barreiras na conexão com o outro, começando a nutrir relações pouco empáticas. O último nível é caracterizado por uma sensação de descontentamento e desmotivação, que conduzem à perceção de perda de sentido do que faz. Esta nível compromete, muitas vezes, o desempenho no trabalho. 

Um estudo de 2014 publicado na Plos One usou imagens do cérebro em diferentes pessoas que mostraram que quem sofre de burnout tem menos matéria cinzenta em áreas ligadas à regulação emocional e ao controlo cognitivo: áreas essenciais para gerir o stress e tomar decisões . 

Possíveis causas de um burnout

A primeira resposta que provavelmente lhe surgiu foi: o trabalho. E pode, de facto ser. Basta ser uma situação na sua vida que lhe cause stress crónico, capaz de alterar a forma como o seu cérebro funciona. E o stresse crónico é aquele que é constante e implacável, que não é o normal no ser humano. 

Ter uma carga de trabalho excessiva, um mau equilíbrio entre vida profissional e pessoal, relacionamentos pesados, cultura de trabalho ou ambiente tóxico na sua vida: todos estes fatores contribuem para que o seu estado emocional esteja em stress constante. Especialistas apontam o uso excessivo das tecnologias como um fator de risco. 

Há formas de recuperar? E de evitar?

A resposta é sim a ambas as perguntas. O stress e o cansaço fazem parte da vida. Mas saber como o gerir e como lhe responder sem deixar que nos consuma é o primeiro passo para não se deixar chegar ao ponto do burnout. 

Os especialistas, no entanto, alertam que esta síndrome não se trata “do dia para a noite”. A recuperação leva tempo já que houve uma forte alteração na forma como o cérebro processa informação. 

Fazer pausas no trabalho ao longo do dia, ter tempo para falar com pessoas de forma leve, fazer exercício físico e ter uma rotina de sono adequada são os principais passos para evitar o stress crónico. 

O ideal é mesmo cumprir com os hábitos saudáveis para viver uma vida com os níveis de stress no mínimo possível. Mas se se identificar com os sintomas acima mencionados, não hesite em procurar ajuda profissional para o encaminhar para uma vida novamente mais leve.