segunda-feira, 17 ago. 2026

Câmara do Porto alerta para aumento de contentores "remexidos e vandalizados" devido ao sistema 'Volta'

A autarquia sublinha que o principal problema é o impacto operacional causado pela necessidade de limpar os resíduos dispersos e reparar equipamentos danificados.
Câmara do Porto alerta para aumento de contentores "remexidos e vandalizados" devido ao sistema 'Volta'

A entrada em funcionamento do sistema 'Volta', que permite recuperar 10 cêntimos por cada embalagem de bebida devolvida, está a ter consequências inesperadas na cidade do Porto. A Câmara Municipal confirmou que, desde abril, têm aumentado os casos de "contentores de lixo remexidos, despejados na via pública e vandalizados", numa tentativa de recuperar garrafas e latas abrangidas pelo novo sistema de depósito e reembolso.

A informação foi avançada pela autarquia em resposta à agência Lusa, explicando que este fenómeno tem obrigado a uma "intervenção adicional" das equipas da empresa municipal Porto Ambiente, responsáveis pela recolha de resíduos e pela limpeza do espaço público.

Mais lixo espalhado e custos acrescidos

Segundo a Câmara do Porto, os trabalhadores têm sido chamados com maior frequência para recolher resíduos que ficam espalhados na via pública depois de os contentores serem remexidos em busca de embalagens com valor de reembolso.

Além do impacto na limpeza urbana, a autarquia alerta para outro problema: quando os resíduos recicláveis ficam misturados ou espalhados no chão, deixam de poder ser encaminhados para reciclagem seletiva e passam a ser tratados como lixo indiferenciado, aumentando os custos do tratamento e prejudicando os indicadores ambientais do município.

Quantidade de embalagens recolhidas mantém-se estável

Apesar destas ocorrências, a Câmara garante que o sistema Volta não provocou uma quebra na recolha seletiva de embalagens.

"Até ao momento, não se verifica uma redução das quantidades de embalagens recolhidas no Porto. Desde a entrada em vigor do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), a 10 de abril de 2026, e até ao final de junho, a quantidade de embalagens recolhidas está em linha com o período homólogo de 2025, registando inclusivamente um ligeiro aumento de cerca de quatro toneladas".

Também o projeto "Recolha Porta a Porta Residencial", em que são recolhidos seletivamente os fluxos de papel/cartão, plástico/metal, vidro e orgânicos, assim como resíduos indiferenciados em habitações unifamiliares, registou um crescimento de aproximadamente 8% nas embalagens recolhidas, indicando que os cidadãos continuam a separar resíduos para reciclagem.

Fenómeno não acontece apenas no Porto

Situações semelhantes têm sido relatadas noutras cidades portuguesas, como Lisboa, onde as autarquias também confirmaram um aumento de contentores remexidos e lixo espalhado devido à procura de embalagens com depósito.

No Porto, contudo, a autarquia sublinha que o principal problema não é uma diminuição da reciclagem, mas sim o impacto operacional causado pela necessidade de limpar os resíduos dispersos e reparar equipamentos vandalizados.