No meio da tragédia, ainda há quem queira lucrar com ela. A PSP de Leiria alertou para um esquema de burla que tira partido do contexto de emergência. Indivíduos apresentando-se como funcionários do Ministério dos Assuntos Internos deslocam-se de porta em porta, alegando realizar um “próximo censo”, e solicitam dados pessoais, fotografias, impressões digitais ou confirmação de informações. As autoridades frisam que se trata de uma burla e recomendam não fornecer qualquer informação e contactar de imediato a polícia em caso de suspeita.
Além disso, no passado domingo foi detetado um grupo que tentava vender três geradores de origem suspeita em Leiria, que foram apreendidos pela PSP, reforçando a vulnerabilidade das zonas afetadas e a necessidade de vigilância perante tentativas de aproveitamento da situação de crise.
Além disso, Leiria já tem uma estimativa dos prejuízos causados pela depressão Kristin na madrugada de quarta-feira. Os estragos deverão rondar os mil milhões de euros, revelou o presidente da Câmara Municipal, Gonçalo Lopes. Esta estimativa contabiliza edifícios públicos, habitações e empresas, além dos custos associados às seguradoras e à reparação de infraestruturas essenciais, como a rede elétrica.
Segundo José Ferrari Careto, presidente do conselho de administração da E-Redes, a reposição total da energia elétrica na região só deverá estar concluída no final deste mês, devido à gravidade da situação. A empresa mobilizou 450 geradores para responder às falhas, mas, segundo o autarca, estes equipamentos serão apenas “uma vela na escuridão” para as freguesias afetadas, garantindo pontos mínimos de apoio, como pavilhões e centros de acolhimento para banho e carregamento de telemóveis.
Para acelerar a reposição de eletricidade no núcleo urbano de Leiria, a E-Redes recorreu à rede subterrânea e adotou soluções temporárias, que podem tornar a rede mais frágil. Além disso, a empresa alertou para a possibilidade de novos cortes devido à sobrecarga dos sistemas.
A tempestade provocou ainda perturbações na circulação rodoviária. A A24, entre os nós de Valdigem e Lamego, permanece cortada por risco de derrocada, sem previsão de reabertura.
Foi também necessário um reforço da segurança na Marinha Grande, com o envio de elementos da PSP de Lisboa, Aveiro e Vila Real, para proteger postos de combustível e locais críticos, numa altura em que se registaram tentativas de pilhagem de cabos elétricos.
Gonçalo Lopes continua a salientar a magnitude do fenómeno, considerando que deveria ter sido acionado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para disponibilizar geradores atempadamente, e sublinhou que o concelho enfrenta uma situação sem precedentes em termos de danos e impacto social.