O cavalo puro sangue lusitano continua a afirmar-se como um dos maiores embaixadores de Portugal no mundo. Presente em cerca de 60 países e com 23 associações internacionais ligadas à Associação Portuguesa de Criadores do Cavalo Puro Sangue Lusitano (APSL), a raça atravessa um dos períodos de maior projeção internacional, ao ponto de 40% já serem criados no exterior de Portugal, o que reflete a crescente procura nos mercados externos, embora o país continue a concentrar a maioria da produção.
Esta vitalidade vai estar em destaque, até sábado, no 37.º Festival Internacional do Cavalo Lusitano, que regressa este ano ao Hipódromo do Campo Grande, em Lisboa, local onde nasceram os primeiros grandes festivais da raça. Depois de várias edições realizadas em Cascais, a organização decidiu voltar a um espaço considerado emblemático para a história do cavalo lusitano. E conta com a presença da atriz Bo Derek, há muito uma apaixonada pelo cavalo lusitano.
«O festival é o evento mais importante da raça no mundo e funciona como uma verdadeira montra daquilo que é o modelo e a funcionalidade do cavalo lusitano», explica ao SOL João Pedro Rodrigues, presidente da APSL.
Também para Pedro Ferraz da Costa, figura histórica ligada à associação, este reconhecimento representa uma chancela internacional para um dos mais importantes produtos da agricultura portuguesa. «Tem um peso importante em termos económicos, mas, além disso, o cavalo lusitano é um cartão de visita de Portugal, É talvez um dos melhores produtos da agricultura portuguesa e vale a pena puxar por isso. É o que estamos a tentar fazer», diz ao nosso jornal. Ainda assim, defende que seria importante que de uma forma continuada, o Estado português, nomeadamente o Presidente da República, desse importância em termos protocolados. «Marcelo Rebelo de Sousa deu bastante, não sei como vai ser com este Presidente. Estão a fazer obras no picadeiro em Belém e, em princípio, vai ficar preparado para se poderem fazer espetáculos de aula e se os Presidentes dos outros países, fossem tomando conhecimento e contacto com essa realidade seria bom», confidencia.
Além de Portugal, o cavalo lusitano tem forte presença em países como Espanha, Brasil, França, Estados Unidos, México e Colômbia, mercados onde a criação e utilização destes animais tem vindo a crescer de forma consistente. Considerado uma marca de excelência nacional, o cavalo lusitano distingue-se pela sua capacidade de adaptação a diferentes disciplinas equestres. Domina a equitação de trabalho, modalidade onde Portugal tem alcançado resultados de topo, destaca-se no ensino e competição internacional, integra as principais escolas de arte equestre e continua a desempenhar um papel relevante na tauromaquia, nas atrelagens e em modalidades como o horseball.
Mas é também no lazer e no turismo equestre que o cavalo lusitano tem vindo a ganhar protagonismo. Segundo João Pedro Rodrigues, Portugal tornou-se um destino de referência para praticantes e amantes da equitação, atraindo visitantes estrangeiros. «O turismo equestre tem crescido de forma muito significativa. Há cada vez mais estrangeiros que vêm a Portugal para aprender, montar e viver a experiência do cavalo lusitano», salienta. E destaca o facto de o setor representar igualmente um importante contributo económico. Além da criação de cavalos, envolve uma vasta cadeia de atividades, que inclui centros hípicos, veterinários, ferradores, fabricantes de equipamento, produtores de alimentação animal, alojamento de cavalos e empresas ligadas ao turismo.
A par da vertente económica, o cavalo lusitano reforçou recentemente o seu reconhecimento cultural. Em 2024, a Arte Equestre Portuguesa foi inscrita pela UNESCO na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, um reconhecimento que distingue os métodos tradicionais de criação, treino e utilização do cavalo lusitano.