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A Polícia Judiciária deteve dois cidadãos estrangeiros no Aeroporto Humberto Delgado por suspeitas de tráfico ilícito de estupefacientes, depois de terem sido intercetados com cerca de 3,300 quilos de um produto que continha DMT (N,N-dimetiltriptamina). Segundo a PJ, a substância “destinava-se à realização de um ritual em território nacional”.
A deteção ocorreu no âmbito da colaboração entre a Autoridade Tributária e Aduaneira e a Polícia Judiciária. De acordo com o comunicado, “a substância apreendida encontrava-se dissimulada na bagagem dos suspeitos”. O produto correspondia a Ayahuasca, “uma preparação tradicional de origem amazónica, obtida a partir da combinação de plantas que contêm DMT”. A PJ recorda que a DMT é “uma substância psicotrópica com efeitos alucinogénios intensos”, capaz de provocar “alterações profundas da perceção, distorções sensoriais e temporais, alucinações visuais e auditivas”, bem como “efeitos psicológicos imprevisíveis, incluindo ansiedade extrema, pânico e estados dissociativos”.
As autoridades sublinham ainda que o consumo pode acarretar “riscos significativos para a saúde física e mental”. Em Portugal, a DMT integra as tabelas de substâncias proibidas anexas ao Decreto-Lei n.º 15/93, sendo ilícitas a produção, transporte, distribuição e detenção fora dos parâmetros legais. “Consequentemente, preparações que contenham esta substância, como é o caso da Ayahuasca, são igualmente proibidas”, frisa a PJ. Os dois detidos já foram presentes a primeiro interrogatório judicial e ficaram sujeitos às medidas de coação aplicadas, prosseguindo a investigação sob direção do DIAP de Lisboa para apurar todos os contornos do caso e eventuais outros envolvidos.