sexta-feira, 08 mai. 2026

Avanço na saúde feminina: novo método não invasivo pode detetar endometriose em fases iniciais

Esta é uma porta aberta para a evolução no diagnóstico da endometriose, reduzindo anos de incerteza (e dores) para milhares de mulheres em todo o mundo.
Avanço na saúde feminina: novo método não invasivo pode detetar endometriose em fases iniciais

A endometriose afeta uma em cada dez mulheres no mundo. Em Portugal, estima-se que cerca de 350 mil mulheres em idade fértil sofram desta doença. É uma doença dolorosa, com difícil diagnóstico e uma longa lista de espera para cirurgia. Os sintomas vão desde dores pélvicas intensas a infertilidade. Mas a ciência avança e a esperança não acaba.

O mérito é de uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford que desenvolveu um método não invasivo para diagnosticar a doença de forma eficaz, mesmo que esteja numa fase muito inicial - uma luz ao fundo do túnel para o tratamento da doença.

A inovação está num exame de imagiologia: procedimento médico não invasivo que utiliza tecnologias como raios-X, ultrassons, radiofrequência ou radiação para obter imagens detalhadas do interior do corpo humano.

O estudo, publicado na revista científica Lancet, revela os testes feitos com um método através do uso de um marcador designado por maraciclatide, injetado no corpo da mulher. Esse marcador deverá ligar-se a zonas onde se formam novos vasos sanguíneos, algo típico desta doença. No fundo, o desenvolvimento obtido pela investigação não é um novo tratamento: é uma nova forma de detetar a endometriose, sem esperar anos com diagnósticos falhados.

Após a mulher passar pela injeção do marcador, faz um exame de imagiologia, onde deverá ter mais ativas as partes do corpo que evidenciam o desenvolvimento da endometriose.

Importante é saber que, atualmente, o diagnóstico da endometriose é demorado porque, numa fase inicial, não é visível em ecografias ou ressonâncias magnéticas. Muitas vezes, a mulher continua a fazer exames que não não lhe dão um diagnóstico correto, até chegar a uma laparoscopia, uma técnica cirúrgica invasica para diagnosticar e tratar doenças abdominais e pélvicas. Nesta fase, já a doença pode ter evoluído para sintomas mais graves, com possíveis consequências graves, impossibilitando um tratamento tão eficaz.

O ensaio da Universidade de Oxford contou com 19 mulheres: em 16, os resultados coincidiram com o diagnóstico cirúrgico e não houve "falsos positivos". No entanto, o estudo mantém a fragilidade de ter resultado numa amostra bastante reduzida.

Esta é uma porta aberta para a evolução no diagnóstico da endometriose, reduzindo anos de incerteza (e dores) para milhares de mulheres em todo o mundo.