quarta-feira, 22 jul. 2026

"Autoestrada de cocaína". PJ trava rota atlântica de tráfico com apreensão de mais de 465 quilos de droga

Operação “Azul 2.0” intercetou embarcações suspeitas entre as Canárias, Madeira e Açores. Foram ainda apreendidas lanchas rápidas, combustível e detidas três pessoas.
"Autoestrada de cocaína". PJ trava rota atlântica de tráfico com apreensão de mais de 465 quilos de droga

A Polícia Judiciária desmantelou uma das rotas utilizadas por redes internacionais de tráfico de droga através do Atlântico, numa operação que resultou na apreensão de mais de 465 quilos de cocaína e 42 quilos de haxixe.

A operação “Azul 2.0”, liderada pela PJ em colaboração com o Centro de Análise e Operações Marítimas contra o Tráfico de Droga (MAOC-N) e a agência europeia de fronteiras Frontex, contou ainda com o apoio da Europol e envolveu meios de vários países.

Entre 27 de maio e 15 de junho, as autoridades monitorizaram e intercetaram embarcações suspeitas de participar numa rota de transporte de cocaína entre a América Latina e a Europa, através do Atlântico.

“Autoestrada da cocaína” entre Canárias e arquipélagos portugueses

A operação concentrou-se numa zona marítima considerada estratégica pelas autoridades, entre as Ilhas Canárias, em Espanha, e os arquipélagos portugueses da Madeira e dos Açores.

Segundo a Polícia Judiciária, esta área tem sido cada vez mais utilizada por organizações criminosas para realizar transferências de droga em alto-mar, uma estratégia que permite reduzir o risco de deteção nos grandes portos europeus.

No âmbito da operação foram apreendidos 465 quilos de cocaína, 42 quilos de haxixe, duas embarcações de alta velocidade, uma outra embarcação, cerca de 800 litros de combustível e foram inspecionadas seis embarcações. Três pessoas foram detidas.

Redes usam várias etapas para evitar deteção

As autoridades explicam que os grupos criminosos têm alterado os métodos utilizados no transporte de droga. Em vez de fazerem chegar diretamente os carregamentos aos portos, recorrem a várias etapas no mar para dificultar a intervenção policial.

A cocaína é transportada inicialmente por embarcações de maior dimensão, que recolhem a droga na América Latina e seguem até águas internacionais. Depois, a carga é transferida para lanchas rápidas, que fazem a aproximação final a zonas costeiras mais isoladas.

A PJ destaca que a cooperação internacional e a partilha de informação foram fundamentais para identificar esta estrutura de transporte e recolher elementos que poderão ajudar a localizar outros envolvidos nas redes criminosas.

A investigação vai agora prosseguir com a análise dos dados recolhidos durante a operação, com o objetivo de identificar organizações responsáveis por estas rotas transatlânticas de tráfico de droga.