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O alerta foi feito pela coordenadora da Urgência Pediátrica da ULS Santa Maria, Erica Torres, após as Ordens dos Farmacêuticos e dos Médicos terem chamado a atenção para os riscos do chamado "desafio do paracetamol", promovido nas redes sociais e que incentiva a toma deliberada de doses elevadas do fármaco.
Segundo a pediatra, a maioria das intoxicações é feita com vários fármacos que os jovens têm em casa, mas, afirmou, “a noção que temos é que, de facto, os jovens sabem qual é a dose letal ou tóxica do paracetamol”, possivelmente através de conteúdos nas redes sociais.
“Ainda ontem (esta quarta-feira) tivemos uma adolescente com uma intoxicação com 10 gramas de paracetamol, que é muito. São 10 comprimidos”, salientou.
Afirmou, ainda, que as intoxicações medicamentosas voluntárias têm sido “uma grande preocupação” para quem faz serviço de urgência, revelando que, nos últimos seis anos, foram registados 232 casos no Hospital Santa Maria, em Lisboa, tendo mais de metade ocorrido nos últimos dois anos.
De acordo com a coordenadora, 60% dos adolescentes já tinham uma perturbação depressiva ou ansiosa, mas cerca de 30% não tinham qualquer patologia.
A coordenadora rejeita que se trate de chamadas de atenção. “Nunca podemos dizer isso”, afirmou, sublinhando que estes adolescentes são sempre avaliados pela pedopsiquiatria e os que apresentam ideação ficam internados.
É necessário uma maior vigilância por parte dos pais. A médica recomenda que os medicamentos sejam guardados em locais seguros e que, no caso de jovens medicados com psicofármacos, a gestão da medicação seja feita pelos adultos.