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A Polícia Judiciária (PJ) confirmou que a investigação ao ataque com um cocktail Molotov durante a Marcha pela Vida, a 21 de março, nas imediações da Assembleia da República, passou para a Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT).
A PJ esclareceu esta segunda-feira, a competência investigatória foi delegada pelo DCIAP, estando a UNCT a trabalhar em articulação com o Ministério Público.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, já tinha classificado o episódio como um “crime de ódio”, admitindo que poderá tratar-se de um crime de natureza terrorista.
“O Governo não aceita ações deste tipo” e “repudia transversalmente todo este tipo de atos”, afirmou, sublinhando a necessidade de garantir tolerância e respeito por opiniões divergentes.
O incidente ocorreu durante uma manifestação que reuniu cerca de 500 pessoas em Lisboa, incluindo famílias com crianças, contra o aborto e a eutanásia.
Um homem de 39 anos arremessou um engenho incendiário artesanal, que acabou por não deflagrar, evitando consequências mais graves. Ainda assim, vários participantes ficaram atingidos por combustível, gerando alarme e perturbação no local.
Suspeito em liberdade com medidas de coação
O alegado autor do ataque foi detido pela PSP, mas acabou por ser libertado após primeiro interrogatório judicial, ficando sujeito a apresentações diárias às autoridades.
Numa fase inicial, surgiram indicações de que o suspeito poderia ter ligações a meios de conotação anarquista, embora as autoridades ainda estejam a apurar motivações e eventuais conexões.
O caso tinha sido inicialmente tratado pela PSP, mas a gravidade dos factos levou à sua transferência para a PJ. A informação foi também partilhada com a Unidade de Coordenação Antiterrorismo, estrutura que integra várias forças de segurança para resposta a ameaças terroristas.
Para já, o Ministério Público indiciou o suspeito por um crime de detenção de arma proibida, não estando ainda formalizada a qualificação como terrorismo.
A investigação prossegue, com as autoridades a tentarem esclarecer as circunstâncias, motivações e eventual enquadramento criminal do ataque, num caso que reacende o debate sobre radicalização e segurança em manifestações públicas.