Relacionados
Em três anos, a PSP registou 4.553 crimes de burla por falso arrendamento de imóveis em Portugal. O esquema é sempre o mesmo: a vítima paga, o imóvel não existe ou já está ocupado, e o burlão desaparece.
Com a época de férias a aproximar-se e a procura por alojamento a aumentar nas plataformas digitais, a PSP e a GNR lançaram esta semana alertas simultâneos à população. Os números justificam a preocupação.
Como funciona o esquema
Tudo começa com um anúncio aparentemente legítimo: fotografias reais, morada verdadeira, preço atrativo. O burlão contacta por e-mail ou telefone, negocia os termos do arrendamento e instrui a vítima a transferir dinheiro antes de qualquer visita ao imóvel, seja por transferência bancária, cheque ou envio de numerário.
Quando o pagamento é feito, o silêncio é imediato. O anúncio desaparece da Internet, os contactos ficam sem resposta e a vítima fica sem o dinheiro e sem o imóvel. Segundo a PSP, estes esquemas exploram precisamente a urgência e a confiança que as vítimas depositam em plataformas de classificados, tornando a detecção da fraude mais difícil do que parece.
Os sinais de alerta que deve conhecer
A PSP identificou um conjunto de comportamentos que devem accionar o alerta imediato:
Preço abaixo do valor de mercado para a zona e tipo de imóvel
Pressão para efectuar pagamento antes de visitar o imóvel
Recusa em fornecer documentos adicionais, como facturas de luz, água ou gás com a morada e nome do proprietário
Fotografias que, ao ser pesquisadas no Google Imagens, surgem associadas a outros anúncios ou localidades
Antes de transferir qualquer valor, verifique se o nome associado ao IBAN fornecido corresponde ao do proprietário ou empresa anunciante. Uma divergência aqui é, quase sempre, sinal de fraude.
O que fazer para se proteger
A PSP recomenda recorrer a plataformas e publicações que garantam a verificação dos anúncios que publicam. Sempre que possível, pesquise o imóvel de forma independente: confirme a morada, o nome do condomínio e os contactos do anunciante antes de qualquer interacção.
Peça sempre fotografias do interior da habitação e, se o anunciante as recusar ou apresentar imagens de baixa qualidade, trate isso como sinal de alerta. Exija também uma cópia de documentos de fornecimento de serviços que comprovem quem é o proprietário do imóvel.
Guarde todos os registos de comunicação: e-mails, mensagens, fotografias recebidas e dados de contacto. Em caso de burla, esses elementos são essenciais para a apresentação de queixa.
Nunca transfira dinheiro sem ter a certeza absoluta de que o anunciante é legítimo. Se tiver dúvidas, não arrisque.
Os números mostram uma ligeira melhoria, mas o risco mantém-se
Os dados da PSP apontam para uma tendência de descida ligeira: 1.542 crimes registados em 2023, 1.511 em 2024 e 1.500 em 2025. No primeiro trimestre de 2026, as participações desceram cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. A GNR, por sua vez, registou 725 burlas relacionadas com aquisição e arrendamento de imóveis em 2025 e deteve três suspeitos entre 2024 e 2025.
A descida é positiva, mas não significa que o risco tenha diminuído. Significa que vale a pena estar mais atento do que nunca.