quinta-feira, 11 jun. 2026

Aprender a conduzir com tutor pode sair mais caro do que tirar a carta numa escola, alerta associação

ANIECA acusa Governo de avançar com uma medida “populista” e avisa que o seguro obrigatório do tutor vai aumentar os custos para as famílias. Associação teme também impactos na segurança rodoviária.
Aprender a conduzir com tutor pode sair mais caro do que tirar a carta numa escola, alerta associação

A possibilidade de aprender a conduzir com um tutor, em alternativa às tradicionais aulas práticas nas escolas de condução, está a gerar fortes críticas da Associação Nacional de Escolas de Condução Automóvel (ANIECA), que considera que a medida poderá acabar por encarecer a carta de condução.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação, António Reis, acusou o Governo de apresentar uma solução “populista”, alertando que os custos associados ao seguro obrigatório do tutor estão a ser omitidos no debate público.

“Quando dizem que é uma medida amiga das famílias, que torna a carta de condução mais barata, omitem a questão do seguro obrigatório do tutor, que acaba por aumentar o custo da carta de condução”, afirmou.

A associação defende ainda que a alteração legislativa poderá ter consequências na segurança rodoviária, numa altura em que Portugal continua a apresentar indicadores preocupantes nesta área.

“A medida põe em causa a segurança rodoviária num país que já tem registos que precisam de ser melhorados”, reforçou António Reis.

Os diplomas que alteram o Regime Jurídico do Ensino da Condução e o Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir foram promulgados esta quarta-feira pelo Presidente da República, António José Seguro, depois de terem sido aprovados em Conselho de Ministros a 16 de abril.

A principal novidade passa pela possibilidade de os candidatos à carta de condução da categoria B poderem aprender a conduzir com um tutor, fora das escolas de condução, desde que este tenha carta há pelo menos 10 anos.

No caso de títulos de condução obtidos no estrangeiro, a licença terá de estar reconhecida em Portugal há, pelo menos, cinco anos.

Segundo explicou anteriormente o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o tutor será responsável pelas infrações e danos provocados pelo candidato durante o período de aprendizagem.

Antes do exame final de condução, os candidatos poderão realizar um teste de aferição numa escola de condução, embora este não seja obrigatório. Caso optem por não o fazer e reprovem no exame, só poderão repetir a prova após quatro meses, exceto se realizarem formação específica.