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Foi a Operação "Cinderela" que trouxe a história do antigo jogador de futebol a público. Pepe irá ser chamado a tribunal para testemunhar no âmbito do processo porque, entre os detidos da operação, está um empresário amigo do antigo internacional português, a quem emprestou 320 mil euros.
De acordo com informação avançada pelo Jornal de Notícias, Manuel S., de 80 anos, é o empresário em questão. Ele e a sua mulher, Rosário J., trabalham na indústria do calçado e foram detidos por suspeitas de terem provocado várias insolvências fraudulentas através dos serviços da "Máfia das Insolvências", liderada pelo advogado Paulo Topa, um dos principais arguidos do processo, que está em prisão preventiva há três meses.
O ex-central do FC Porto emprestou dinheiro a Manuel S. após este lhe dizer que estaria a "passar dificuldades". Pepe, desconhecendo das suspeitas de crime, transferiu-lhe 320 mil euros, em 2022, e, em forma de garantia, ficou com uma hipoteca sobre uma casa de luxo em Oliveira de Azeméis. Segundo o JN, a escritura foi celebrada em maio de 2024, com uma hipoteca voluntária com um prazo de reembolso até maio de 2025. Esse prazo não foi cumprido e, dez meses depois do prazo, a casa até já mudou de dono: em 2023, a casa passou para o nome de uma imobiliária e, dois meses depois, para o nome de um funcionário do casal; em 2024, já no ano da escritura que envolvia Pepe, a moradia passou para o nome da mulher desse empresário. Depois disso, ainda ficou em nome de uma empresa recente, com sede no estado norte-americano de Delaware.
“Apesar de mudanças de proprietário da casa, a hipoteca mantém-se, pelo direito de sequela. Se Pepe entender, pode pedir juros a contar a partir de maio do ano passado, por não haver reembolso. Mas Pepe e o homem em causa são amigos e essa não deverá ser a postura”, revelou o avogado de Pepe, Manuel Costa Pinho, em declarações ao Jornal de Notícias.
Recorde-se que foram detidos três administradores judiciais, um advogado e seis empresários no âmbito da Operação "Cinderela", indiciados pelos crimes de corrupção, associação criminosa, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais.