quarta-feira, 13 mai. 2026

Almada garante alojamento em hotéis a desalojados das intempéries até terem casa

As intempéries que atingiram Portugal em fevereiro obrigaram à retirada de cerca de 500 pessoas no concelho de Almada. No início de abril, ainda havia 127 desalojados a beneficiar de alojamento temporário.

A presidente da Câmara Municipal de Almada assegurou que o município continuará a pagar alojamento em unidades hoteleiras às famílias desalojadas pelas intempéries, enquanto não tiverem uma solução habitacional definitiva.

A garantia foi dada por Inês de Medeiros durante a reunião de câmara de segunda-feira, após intervenções de moradores da Costa da Caparica e da Azinhaga dos Formozinhos, em Porto Brandão, que lamentaram não poder regressar a casa três meses depois dos deslizamentos de terras.

De acordo com a agência Lusa, a autarca explicou que, apesar do fim das chuvas, continuam a existir riscos de derrocada em várias zonas, sendo que, em alguns casos, o regresso às habitações será impossível.

“Na grande maioria das casas da zona C não vai ser possível voltar”, afirmou, adiantando que os arrendatários terão apoio ao arrendamento durante um período a definir, enquanto os proprietários serão avaliados caso a caso.

Entretanto, foi assinado um protocolo com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) no âmbito do programa “Porta de Entrada”, que permite apoiar famílias que perderam habitação em situações excecionais, com subsídios ao arrendamento até três anos.

Enquanto não encontram nova casa, os desalojados continuam alojados em hotéis, com o município a assegurar, em alguns casos, também as refeições. “Queremos garantir um mínimo de dignidade”, sublinhou a autarca, rejeitando soluções como o acolhimento prolongado em pavilhões.

Terrenos continuam instáveis

Segundo Inês de Medeiros, as zonas afetadas — nomeadamente a Costa da Caparica e a Azinhaga dos Formozinhos — continuam a ser monitorizadas, mantendo-se a instabilidade dos terrenos e o risco de novos deslizamentos.

Está em fase final um estudo técnico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que deverá definir intervenções como a instalação de barreiras dinâmicas para conter a queda de pedras nas arribas.

Centenas afetados pelas tempestades

As intempéries que atingiram Portugal em fevereiro obrigaram à retirada de cerca de 500 pessoas no concelho de Almada. No início de abril, ainda havia 127 desalojados a beneficiar de alojamento temporário.

Uma das áreas mais afetadas foi a Azinhaga dos Formozinhos, onde dezenas de moradores tiveram de abandonar rapidamente as suas casas devido ao deslizamento de grandes massas de terra.

Para os proprietários que não poderão regressar, está em cima da mesa a possibilidade de soluções de habitação colaborativa noutras zonas do concelho.

A autarquia mantém o compromisso de que “ninguém ficará desprotegido”, numa resposta que deverá prolongar-se enquanto não forem encontradas soluções habitacionais estáveis para todas as famílias afetadas.